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'Fiquei apavorado', diz médico que relata ter sido ameaçado por diretor da Prevent Senior

·3 minuto de leitura

BRASÍLIA - O médico Walter Correa de Souza Melo, que registrou um boletim de ocorrência em que denunciou o diretor da Prevent Senior Pedro Benedito Batista Júnior por ameaça, disse ao GLOBO ter ficado "apavorado" após o ocorrido. Na ligação, o funcionário da empresa diz que o médico está expondo sua família e "colocando sua vida" e "tudo que construiu" em xeque. Procurado, Batista Júnior nega ter feito ameaças e acusa Walter de ter cometido infrações à ética médica.

— Fiquei apavorado, fiquei muito assustado. Assim que ele me ligou, fiquei bastante assustado. Minha esposa ficou apavorada, não queria levar minha filha para escola. Pensamos 'o que ele vai fazer'? — relata o médico. — Eu fiquei em casa mais de um mês com medo do que ia acontecer. De ficar com medo. De não saber o que ia acontecer.

Em nota, a Prevent Senior diz que "o médico Walter Correa de Souza jamais foi ameaçado pelo Dr. Pedro Batista Júnior". "Pelo contrário, ele foi alertado que, após invadir e divulgar o prontuário de um paciente, seria levado à investigação pelo Conselho Regional de Medicina, o que, de fato, aconteceu, por infração à ética e à legislação. Pedro e Walter eram amigos e sócios. Por isso, Pedro alertou que a conduta ilegal de Walter exporia ele a um risco de punição no CRM."

— Você se expôs de uma maneira que não tem volta. Você colocou a sua vida, tudo que você construiu até hoje, em xeque — diz Batista Júnior ao médico, segundo gravação obtida pelo GLOBO.

Walter diz ter sido obrigado a trabalhar em um plantão em outubro de 2020 mesmo após enviar um teste comprovando que estava com Covid-19. Diz também que havia pressão na Prevent Senior para que ele receitasse o "kit Covid", com medicamentos comprovadamente ineficazes contra a doença, aos pacientes.

À época da ligação de Batista Júnior, Walter já não trabalhava na empresa. O diretor da Prevent soube que o médico havia dado uma entrevista à "Globonews" e disse, segundo Walter, que ele estava "expondo sua filha e sua família".

— Aí liguei o tablet, coloquei o telefone no viva voz e comecei a gravar. Nunca tivemos uma relação de amizade. Pedro não conhece minha filha. Não teria porque ele citar minha família sem ser num contexto de ameaça — diz Walter ao GLOBO.

Durante a ligação, Pedro nega que estivesse ameaçando Walter e diz reiteradas vezes que o médico está se "expondo" ao dar entrevista. Diz a ele que "é muito triste isso para sua vida", "você vai sujar seu nome", "você só esqueceu que você não é limpo", entre outras coisas.

— Você simplesmente nem olhou para o lado. Olha o que você fez com a sua família, cara. Você conversou com a sua esposa que você ia fazer isso? — questiona Batista Júnior na conversa com o médico.

— O que minha família tem a ver com isso? Você tá me ameaçando? — responde o médico.

— Eu não preciso ameaçar, Walter, você já fez a cagada.

Depois do ocorrido, Walter registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil de São Paulo.Ao fim da ligação, Walter diz que a Prevent Senior estava omitindo de certidões de óbito que pacientes estavam morrendo de Covid, como teria acontecido com Anthony Wong, conhecido defensor da cloroquina que morreu em um hospital da rede. Batista Júnior diz que Wong não teria morrido de Covid. Walter cita então o prontuário do paciente. O diretor da Prevent o acusa então de ter invadido os dados de Wong.

— Eu tive acesso ao prontuário através de colegas — rebate o médico.

A Prevent Sênior entrou nos holofotes da CPI após uma reportagem da Globonews revelar que a empresa ocultou mortes de pacientes que participaram de um estudo realizado para testar a eficácia da hidroxicloroquina para tratamento de Covid-19. A pesquisa foi apoiada pelo presidente Jair Bolsonaro e usada por outros defensores do "tratamento precoce" para justificar a prescrição do medicamento. O dossiê revelou que pacientes da Prevent Sênior sequer sabiam que estavam fazendo parte de um estudo clínico com hidroxicloroquina.

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