Fipe eleva para 1,06% previsão do IPC de janeiro

O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), Rafael Costa Lima, elevou há pouco, de 0,98% para 1,06%, a expectativa para a inflação de janeiro na cidade de São Paulo. Em entrevista à Agência Estado para detalhar o resultado do indicador de inflação da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) na terceira quadrissemana do mês, ele disse que, mais uma vez, o comportamento de alta forte dos alimentos in natura foi o grande responsável pelo ajuste na previsão.

"Realmente, o IPC da terceira quadrissemana veio bem acima do esperado por nós, principalmente em função do subgrupo In Natura do grupo Alimentação e, especialmente, por causa do preço do tomate, que está atrapalhando nossas previsões", afirmou Costa Lima. "O efeito sazonal das chuvas está vindo um pouco mais cedo do que o normal e de uma maneira mais intensa", observou.

Conforme a divulgação feita nesta segunda-feira pela Fipe, o IPC registrou taxa geral de 1,04%. O número não só foi maior do que a de 0,96% da leitura imediatamente anterior como também representou o resultado mais expressivo para a capital paulista desde a primeira quadrissemana de fevereiro de 2011, quando registrou taxa de 1,12%.

Enquanto a Fipe trabalhava com uma expectativa de taxa de 0,97% para a terceira quadrissemana, os economistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE Projeções aguardavam uma inflação de 0,97% a 1,10%, com mediana de 1,02%.

Dentro do IPC, o grupo Alimentação apresentou alta de 2,10% e representou 46,07% de todo o índice pesquisado. O avanço foi mais expressivo que o de 2,07% da segunda leitura de janeiro, quando o conjunto de preços foi responsável por 49,30% da inflação.

Quanto ao comportamento dos preços de alimentos in natura, o subgrupo mostrou importante alta de 7,60%, superior à variação já expressiva de 4,70% vista na segunda quadrissemana. O grande vilão da Alimentação, o tomate, avançou 32,67% e respondeu sozinho por 0,07 ponto porcentual da inflação.

No ranking de contribuições de alta do IPC, o item só perdeu para os impactos dos cigarros, que aumentou 12,71% e representou 0,15 ponto porcentual da inflação; da passagem aérea (alta de 20,04% e contribuição de 0,09 ponto) e do Ensino Superior (variação positiva de 4,55% e representação de 0,08 ponto porcentual).

Não por acaso, além da Alimentação, os dois grupos que mais pressionam o IPC são o de Despesas Pessoais, onde estão localizados os cigarros e as passagens aéreas; e o de Educação, onde estão as despesas com mensalidade escolar. Entre a segunda quadrissemana e a terceira leitura do mês, a alta de Despesas Pessoais passou de 2,02% para 2,23% e o avanço da Educação passou de 2,51% para 4,23%.

Para o final do mês, Costa Lima projeta variações positivas de 2,00% para a Alimentação; de 2,17% para Despesas Pessoais; e de 6,04% para Educação. "O panorama ainda está ruim para a inflação", comentou.

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