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Fiocruz: pela 1ª vez, maiores concentrações de internações em enfermarias, CTIs e óbitos caíram juntas abaixo de 60 anos

·2 minuto de leitura

RIO - Boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira, mostra que pela primeira vez as maiores concentrações de casos internados em enfermarias, em CTIs e óbitos chegaram juntas a um patamar abaixo de 60 anos. "A partir de agora todos os indicadores o rejuvenescimento", afirma o estudo, que alerta para uma piora da pandemia no inverno.

De acordo com o pesquisador Raphael Guimarães, responsável pelo pesquisa por faixa etária do Observatório Fiocruz Covid-19, o grupo tem acompanhado o rejuvenescimento da pandemia há alguns meses. Desde o início do ano, gradativamente é possível ver as internações mudarem o perfil, aumentando proporcionalmente entre jovens.

— No boletim da última quinzena, verificamos que a mediana da idade dos casos internados em enfermarias e CTI ficou abaixo dos 60 anos. Isso significa que mais da metade das internações ocorreu em pessoas com menos de 60 anos. Naquela semana, a mediana dos óbitos ainda era de 61 anos. Mas para esta quinzena, a mediana dos óbitos voltou a cair, agora em 59 anos. Isso significa dizer que a partir de agora, não somente as internações, mas também os óbitos, em sua maioria ocorrem em pessoas não idosas — explica.

“Possivelmente o cenário atual de rejuvenescimento prosseguirá e poderá perpetuar um cenário obscuro de óbitos altos até que este grupo etário esteja devidamente coberto pela vacina. O padrão de transmissão do Sars-CoV-2 no país ainda é extremamente crítico”, projetam os pesquisadores.

O boletim afirma ainda que, nas semanas de 30 de maio a 12 de junho, houve um pequeno aumento nas taxas de incidência (casos novos) e mortalidade (óbitos) no Brasil, com a formação de um platô elevado de transmissão da Covid-19, e a possibilidade de agravamento nas próximas semanas, com a entrada do inverno

Ainda de acordo com o estudo, as taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que o quadro geral ainda é muito preocupante. Dezoito estados e o Distrito Federal apresentam taxas de ocupação de pelo menos 80%, sendo que em oito deles as taxas de ocupação são iguais ou superiores a 90%. Em relação às capitais, 16 delas estão com taxas de ocupação de pelo menos 80% e 9 com taxas iguais ou superiores a 90%.

As tendências observadas para as taxas de incidência de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) nos estados, com dados reportados até 12 de junho, indicam crescimento em quatro unidades da Federação e um total de 20 estados com taxa de incidência superior a 10 casos por 100 mil habitantes, considerada extremamente alta, sendo que em três deles a média móvel excedeu 20 casos por 100 mil habitantes.

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