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Fiocruz: mutações preocupantes do Sars-Cov-2 já são maioria em pelo menos seis estados

Bruno Alfano
·2 minuto de leitura

RIO - Mutações do coronavírus, chamadas de variantes de preocupação, já são responsáveis pela maioria dos casos em seis de oito estados testados, afirma estudo da Fiocruz divulgado nesta quinta-feira.

O Ceará e o Paraná tiveram, respectivamente, a maior prevalência dessas variantes, com 71% e 70% dos casos, respectivamente. Depois deles, estão Santa Catarina (63%), Rio de Janeiro (62%), Rio Grande do Sul (62%) e Pernambuco (50,8%).

Apenas Minas Gerais, com 30,3% das amostras testadas como positivo para a mutação, e Alagoas, com 42,6%, não tem a maior parte dos casos causados pelas variantes de preocupação.

A pesquisa foi feita usando o novo teste de RT-PCR, desenvolvido pela Fiocruz Amazônia. Ele detecta a mutação comum em três das ‘variantes de preocupação’ (P1, identificada inicialmente no Amazonas, B.1.1.7, no Reino Unido e B.1.351, na África do Sul), que são potencialmente mais transmissíveis.

A avaliação contou com o apoio do Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde e da Coordenação Geral de laboratórios de Saúde Pública.

No final de janeiro, o infectologista Marcus Lacerda, da Fiocruz-AM, afirmou que a variante identificada incialmente em Manaus já deveria prevalecer sobre outras em um mês no Brasil.

De maio a dezembro, os manauaras praticaram pouco isolamento social sem que o vírus tenha se disseminado muito. A explosão de casos ocorrida em janeiro de 2021, que provocou um segundo colapso do sistema de saúde do município, e também do estado, coincidiu com a emergência do P.1, sugerindo uma ligação.

Agora, o restante do Brasil também apresenta recordes de mortes e está com o sistema à beira do colapso. A Fiocruz publicou na última terça-feira um boletim especial alertando que, pela primeira vez do início da pandemia, o país inteiro apresenta piora de indicadores da Covid-19.

Entre os aspectos analisados, estão o crescimento do número de casos e de óbitos, a manutenção de níveis altos de incidência de síndrome aguda respiratória grave (SRAG), a alta positividade de testes e a sobrecarga dos hospitais. Até então, a doença se apresentava em estágios diferentes nos estados.