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Fiocruz afirma que Influenza pode se espalhar; especialista explica porque surto se concentrou no Rio

·3 min de leitura

O aumento de casos de Influenza no Rio, que já é considerado uma epidemia de gripe na cidade pela prefeitura, não deve ficar restrito ao território carioca. Para o pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do Infogripe, da Fiocruz, a tendência é que o vírus se alastre pelo país.

— É possível que logo, logo, comece a se espalhar, em função da mobilidade nacional, especialmente na malha aérea, já que o Rio tem um fluxo diário de passageiros muito grande para os principais centros urbanos do país. Mas entre a importação de casos e o espalhamento disso nos destinos, vai um tempo — afirma Gomes.

Segundo ele, os casos leves costumam surgir em algumas semanas. Já a Síndrome Respiratória Aguda Grave, ou seja, as internações, demoram algumas poucas semanas além delas para serem notificadas.

Os dados dependem também da vigilância de síndrome gripal de cada local e do atraso no registro.

— A disseminação e impactos, sem levar em conta problemas ou velocidade de registro, considerando apenas importação de casos a partir do Rio e não surtos independentes, potencialmente estaria no horizonte de semanas a um ou dois meses — afirma Gomes.

Vírus pode ter vindo do exterior

O infectologista Alberto Chebabo, integrante do comitê científico da prefeitura, explica que o vírus Influenza A não circulava no Brasil desde o inverno de 2019, e pode ter trazido por algum turista ou brasileiro que tenha viajado para o exterior.

— Esse vírus circula no hemisfério norte, que está na sazonalidade dele, e a gente acredita que uma pessoa infectada veio para cá e introduziu o vírus aqui. Pode ter sido um turista estrangeiro ou um brasileiro que tenha viajado para o exterior. Isso justificaria o fato de o primeiro impacto ter sido sentido na UPA da Rocinha e no Miguel Couto, onde são atendidas pessoas que trabalham em restaurantes, estabelecimentos e casas de família da Zona Sul carioca — explica Chebabo.

A baixa cobertura vacinal contra gripe na cidade pode ter favorecido a rápida disseminação do vírus, na visão do infectologista.

— Como já não temos circulação desse vírus no Brasil desde o inverno de 2019, certamente a resposta imunológica da população contra esse vírus já está baixo de forma geral, o que poderia ter sido resolvido se houvesse uma boa cobertura vacinal. Mas a cobertura vacinal foi muito baixa. Tivemos a introdução de um vírus que já não circulava há dois anos que uma população suscetível, então a capacidade de expansão foi muito rápida — diz.

O número de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causados por Influenza na capital fluminense ultrapassou a quantidade de casos com gravidade provocados pela Covid-19 no fim de novembro. A média móvel subiu 2.647% na população em um período de duas semanas.

Vacinação é importante

O coordenador do Infogripe, Marcelo Gomes, reforça a importância das ações locais de prevenção, retardando o impacto da chegada do vírus. Para isso, a cobertura vacinal de gripe tem papel importante:

— É fundamental que os demais locais reforcem a campanha de vacinação contra a gripe antes de começar a sofrer os respingos a partir do Rio. Para que a população já esteja imunizada quando começar a circular no seu território.

Vale lembrar que, assim como as vacinas contra a Covid, leva um tempo entre receber o imunizante e o organismo desenvolver a proteção imunológica adequada. Rio 8/12

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