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Com coronavírus, fintechs se preparam para primeira grande crise

Colaboradores Yahoo Finanças
·6 minuto de leitura
Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Por Matheus Mans

Dificuldades financeiras de clientes, inadimplência, instabilidade de mercado, falências... São vários os percalços que as fintechs terão que enfrentar ao longo dos próximos meses, enquanto o Brasil e o mundo passam por uma grave crise causada pela pandemia do novo coronavírus. Para especialistas, será a primeira grande provação de startups financeiras.

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Durante a retração econômica recente do Brasil, o setor ainda estava se estabilizando e poucas tinham alcance nacional. Agora, com mais empresas consolidadas no mercado e carteiras gordas de clientes, o impacto deverá ser maior. Cuidados com o fornecimento de crédito e um acompanhamento constante das dívidas se fará necessária.

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E não é um setor pequeno: de acordo com dados da Fintechlab, hoje já são mais de 600 startups financeiras no Brasil. Entre 2018 e 2019, houve um crescimento de 33% no total.

“O contexto geral de crise e o consequente cenário restritivo, tanto em locomoção quanto em gastos, e o aumento da taxa de desemprego são componentes negativos para praticamente todos os segmentos fintech, em especial pagamentos, empréstimos, seguros e investimentos, diz Bruno Diniz, especialista no setor e autor do livro O Fenômeno Fintech.

Crescimento do setor

Em um primeiro momento, as fintechs vão saborear um crescimento considerável nos pedidos de crédito, facilitações de pagamentos, renegociação de dívidas e taxas baixas. O cenário ao redor também favorece essa linha de crescimento. Afinal, mesmo com incentivos do governo federal, instituições financeiras tradicionais olham para o mercado com receio.

A startup de crédito para empresas WEEL, por exemplo, está plenamente consolidada no mercado. A fintech já recebeu aportes consideráveis, de fundos como Monashees e Franklin Templeton, e conta com números altos. São 15 mil empresas cadastradas, clientes de 21 estados e aproximadamente R$ 800 milhões negociados em operações de crédito.

Nos últimos dias, com o aprofundamento da crise, a startup viu o número de pedido de crédito saltar em 80%. A WEEL, porém, acredita que os pedidos devem crescer mais 220%.

“Dividimos as empresas em dois cenários. Existem as que estão com um crescimento massivo de receita, com pressão pela compra de estoque, matéria-prima. E existem as que sofrem com queda drástica de receita”, resume Nathan Yoles, vice-presidente da startup. “Nós temos penetração nesses dois cenários. Existe um risco maior, com mais cautela”.

A BizCapital também tem visto um crescimento parecido. A fintech, que concede empréstimo online às pequenas e médias empresas, observou um salto de 67% nos pedidos de crédito entre a terceira e a última semana de março. A justificativa é sempre o coronavírus. O sócio-fundador da BizCapital, Francisco Ferreira, vê isso com cautela.

BizCapital adota cautale em meio a alta demanda de empréstimos (Foto: Divulgação)
BizCapital adota cautale em meio a alta demanda de empréstimos (Foto: Divulgação)

“As pequenas e médias empresas estão sendo atingidas diretamente com essa pandemia. É um novo cenário para nós e, por isso, precisamos analisar tudo com cautela”, afirma ele. “A base de tudo é o planejamento. As crises são sempre oportunidades para a melhoria. É preciso se reinventar, buscar produtividade, melhoria de processos e novas oportunidades”.

Depois da bonança

Especialistas alertam que este é um movimento típico de uma forte recessão. “É quase um tsunami. Primeiramente, há uma retração forte da água. As praias secam. Depois de um tempinho, vem a onda gigante e leva tudo”, explica o professor de economia Túlio Souza, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). “Será preciso um cuidado redobrado agora”.

Afinal, depois da alta procura por crédito, é esperado que empresas quebrem, não consigam arcar com as dívidas e entrem com pedidos de falência. É um efeito dominó.

Ao serem questionados pela reportagem sobre o futuro do setor, dado este cenário, todos os empreendedores repetiram uma expressão como a mais importante agora: “reinvenção”.

“Tem pessoas achando que isto que estamos atravessando ‘é uma fase’ e torcendo para que ‘logo tudo volte ao normal’. Na minha visão, quando todo este caos sossegar, teremos um ‘novo normal’”, explica Diogo Cuoco, CEO da Taki Pagamentos. “O mundo não voltará a ser como foi até quatro ou seis semanas atrás. Ou entende-se isso ou pode ter problemas”.

E as mudanças já estão sendo sentidas. A WEEL, por exemplo, faz a análise de crédito por meio de notas fiscais eletrônicas. Com o novo cenário, não adianta apenas olhar para o passado, já que instabilidades devem ser frequentes. Agora, todas as transações são analisadas por meio de dados que cruza faturamento e despesas baseado na nota fiscal.

“No caso da WEEL, esse tipo de análise é o nosso maior ativo neste momento. É o uso da tecnologia, da inteligência de dados”, afirma Nathan. “Teremos uma precificação correta e que, por meio desse ativo tecnológico, conseguimos mitigar as ineficiências do mercado”.

A BizCapital também segue por um caminho parecido, fazendo análises mais profundas de crédito. E Francisco Ferreira aconselha: “o ideal é manter o crédito na praça. Por isso, não honrar os compromissos é a pior alternativa neste momento de crise. É a hora de entrar em contato com os credores, propor alternativas e negociar o que é possível”, afirma.

Surfando na onda

Ao mesmo tempo que algumas startups de crédito se preparam para a “onda do tsunami”, outras surfam com soluções “mais garantidas” e respiram um pouco mais aliviadas. A fintech Xerpa, por exemplo, oferece um tipo de crédito diferenciado: o trabalhador pode receber pelos dias trabalhados, ao invés de esperar cair o salário só no final do mês.

Ou seja: a fintech, por meio do Xerpay, trabalha com um dinheiro que já existe. O risco de inadimplência se concentrando só na possibilidade da empresa que paga o salário quebrar.

“Nós não oferecemos crédito, e é justamente por isso acreditamos tanto no Xerpay como uma ferramenta para oferecer maior liquidez aos colaboradores”, afirma Bruno Pedroso, líder de Marketing da Xerpa. “Diante do cenário que vivemos hoje, acreditamos que essa é uma das principais ajudas que podemos oferecer a eles por conta de gastos emergenciais”.

A startup bxblue, de crédito consignado, também olha o futuro com otimismo, mas com um pouco mais de cautela. “O governo tem anunciado ainda facilidades que ampliam acesso a crédito. Mas como empresa estamos agindo para ser resilientes ainda que o cenário mude e não nos seja favorável”, afirma Roberto Braga Mascarenhas, co-fundador da bxblue.

Para Bruno Diniz, especialista em fintechs, o mercado irá se consolidar ainda mais após a crise. “As empresas que sobreviverem a esse momento terão, inclusive, um bom discurso para apresentar a potenciais investidores em rounds seguintes, quando a crise passar”, diz.

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