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Fintechs em alta hoje vão sumir em 10 anos, diz banqueira

Canary Wharf em Londres, sede de muitos bancos internacionais, incluindo HSBC e Citi. Foto: Getty

Muitas das fintechs de hoje - startups do setor financeiro com foco em tecnologia -, que estão surgindo como um empecilho para o setor bancário tradicional, não existirão mais em 10 ou 100 anos, de acordo com Anne Boden, CEO do novo banco americano Starling.

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"Sim, os bancos seguirão existindo", disse Boden. Mas ela fez uma distinção entre os novos bancos e startups que "atendem às necessidades específicas dos clientes", observando que "muitas das novas entidades [fintechs] que chegam ao mercado não têm como gerar receita".

"Apesar de estarem inovando e trazendo novas visões ao mercado, infelizmente essas empresas não têm um plano de rentabilidade a longo prazo e não estarão mais no mercado em 10 ou 100 anos", disse ela.

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Boden falou em uma sessão da conferência FinTECH, nos EUA, durante a qual vários executivos de startups e bancos tradicionais debateram sobre a crescente questão: serão os bancos necessários no futuro ou não?

O mundo "absolutamente" precisará de instituições que protejam o seu dinheiro, disse Aritra Chakravarty, diretora executivo da Dozens, uma fintech de Londres. “Nossa história prova que as pessoas precisam dessas instituições. Mas se as instituições atuais que prestam esse tipo de serviço serão as mesmas que o farão no futuro, esta é a grande questão.”

Respondendo a uma pergunta sobre o porquê de os bancos ganharem mais dinheiro quando seus clientes pegam empréstimos, Chakravarty argumentou que, no setor bancário, existe um "desalinhamento fundamental dos incentivos, que não existe em nenhum outro setor".

"É como um fabricante de automóveis que obtém mais lucros quando o usuário final sofre mais acidentes", disse ele. "Acho que os bancos falharam nesse aspecto."

Para Ceri Godwin, diretor de informações do Santander do Reino Unido, o setor bancário sempre esteve focado em confiança e escala. Observando como o setor bancário era “o maior ecossistema interoperável” do mundo, Godwin sugeriu que, embora os bancos precisem se adaptar, não deixarão de existir no futuro. "O setor bancário é alvo dessas fintechs que surgem e, na verdade, eu apoio isso completamente", disse ela.

De acordo com Russell Pert, do Facebook, que lidera as operações de tecnologia do gigante das redes sociais no Reino Unido, esse rompimento com o setor bancário tradicional ocorrerá diminuindo o tempo que os clientes levam para fazerem transações bancárias. "Ao longo da história, o objetivo dos bancos realmente não mudou", disse Pert. "O que mudou foi a maneira como atendemos os clientes."

Ele apontou o Facebook Messenger, que possui 31 milhões de usuários no Reino Unido, como uma ferramenta que poderia ser usada para "revelar" os serviços pelos quais os clientes procuram.

Josh Bottomley, diretor global do departamento digital do HSBC, pensa da mesma forma, pontuando que o futuro do setor bancário seria "muito mais sobre a experiência do cliente". Mas ele observa que os grandes bancos tradicionais teriam que reduzir seus custos operacionais - e diz que a inteligência artificial é uma maneira de alcançar isso.

"Muitos dos processos de atendimento ao cliente nos bancos ainda são sobre prever, prevenir ou prescrever comportamentos", disse Bottomley. "Eles são todos orientados a dados, todos automatizáveis", disse ele.

Mas Boden acha que, embora os bancos tradicionais copiem "absolutamente tudo o que os novos bancos e as fintechs fazem", não conseguirão copiar a base de custos. "Não se trata mais somente de inovação: é uma batalha sobre a base de custos. Os bancos que puderem gerenciar sua base de custos sobreviverão”, disse Boden.

"Mas veremos alguns grandes bancos falindo e alguns bancos muito grandes prosperando nesse novo ambiente - mas ainda teremos que descobrir qual é qual."

Edmund Heaphy