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Fintechs criam soluções para ajudar pequenos empreendedores

Foto: Getty Images

Por Matheus Mans

O mercado de pequenos empreendedores chama a atenção atualmente. Eles representam 77,56% dos negócios brasileiros e, só em julho de 2019, foram responsáveis por criar 95% das vagas de emprego no País, de acordo com dados do Sebrae. De olho nessa fatia de mercado, as startups financeiras (fintechs) estão criando soluções rápidas, baratas e que dão autonomia aos brasileiros que querem um negócio para chamar de seu.

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“O mercado de micro, pequenas e médias empresas é fundamental para o sucesso da economia de um País”, resume Caio Ramalho, coordenador do Núcleo de Estudos em Startups e Inovação da Fundação Getulio Vargas (FGVnest). “Mas é um setor que ainda enfrenta dificuldades. Não tem amparo dos grandes bancos e acaba restrito a poucos serviços. Quem mudar isso vai estar com um mercado gigante e interessante em mãos”.

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A fintech CUKE é um exemplo de empresa que está tentando abocanhar esse setor desamparado. A ideia da startup surgiu em 2008, quando a esposa do fundador Gabriel Narváez entrou no mercado de venda direta, comercializando produtos como Avon e Tupperware. Ele percebeu que não havia estratégia de venda e que a maioria das pessoas também não tinha uma noção exata de como estava o lucro e os gastos daquele mês.

A partir disso, sete anos depois, ele lançou um aplicativo para ajudar na organização das despesas deste tipo de público. “A pessoa vai registrando o que vendeu, o que comprou, quanto gastou. O CUKE, enquanto isso, vai extraindo informações para mostrar, de maneira descomplicada, como está a situação financeira daquela micro ou pequena empresa”, explica o fundador, que hoje cobra uma assinatura do aplicativo de R$ 24,90 ao mês.

O app já está em mais de 90 países e com mais de 7 mil micro e pequenas empresas cadastradas, variando de empreendedores de venda direta a comerciantes de livros. “É um mercado de mais 107 milhões de pessoas no mundo. Estamos em busca de um investimento para alcançar esses negócios”, afirma Gabriel.

Sem crédito e sem fraude

Além da falta de planejamento, outro problema é a dificuldade de encontrar crédito para capital de giro. A maioria dos bancos não sente segurança na hora de emprestar dinheiro às empresas pequenas — afinal, na maioria das vezes, são negócios sem histórico ou desbancarizados. Vendo isso, a fintech BizCapital começou a oferecer crédito a partir de R$ 5 mil. A dívida ainda pode ser paga em até 24 meses com taxa média de 3,30% ao mês.

“Nos Estados Unidos, 5% dos micro e pequenos empreendedores não completaram o Ensino Médio. No Brasil, esse número salta para 43%”, afirma Cristiano Rocha, sócio-fundador da BizCapital. “Nós exploramos esse mercado, ignorado pelos grandes bancos, por conta da tecnologia. Usamos os dados do cliente e compreendemos todas as suas dificuldades. Se negarmos crédito, ainda explicamos para eles o motivo por trás”.

Já a Konduto está focada em ajudar pequenos empreendedores a não cair em fraudes. Para isso, a fintech monitora o comportamento de navegação e compra de um usuário em uma loja virtual ou aplicativo mobile. Por meio de filtros de inteligência artificial, ele calcula em menos de um segundo a probabilidade de fraude em uma transação online. São 2,2 mil lojistas usando a solução e com 13 milhões de transações analisadas ao mês.

“Os lojistas conseguem barrar possíveis golpes, sem interferir nas compras legítimas, feitas por bom clientes, otimizando a operação e garantindo resultados melhores no faturamento”, explica Felipe Held, líder de marketing da Konduto.

“Hoje em dia, uma solução antifraude não pode se limitar a coletar dados básicos de cada pedido, como nome, e-mail, CPF, data de nascimento e endereço de entrega. Há centenas de outras variáveis que podem ser utilizadas para calcular o risco do pedido e que podem ser analisadas por um antifraude", completa.