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Finanças bloqueiam COP27 a um dia do encerramento

As finanças e, em especial, a criação de um fundo de perdas e danos pela mudança climática, bloqueavam as negociações, nesta quinta-feira (17), na conferência anual da ONU sobre o clima (COP27), no Egito, a um dia de seu encerramento oficial.

Criar esse fundo é “um imperativo moral e de justiça climática”, declarou o vice-ministro colombiano de Planejamento Ambiental do Território, Francisco Javier Canal Albán, em entrevista coletiva.

Os países do Sul mostraram uma frente comum nestas horas finais da COP27.

A China, em geral sua aliada, ainda deve se pronunciar sobre o assunto nesta reunião.

Já os Estados Unidos são contra a ideia, e a União Europeia não considera necessário criar um novo mecanismo.

A COP27 deve encerrar, "no mínimo, com uma declaração política" de compromisso com a criação desse fundo, ou mecanismo, uma antiga aspiração dos países do Sul", acrescentou a ministra paquistanesa para a Mudança Climática, Sherry Rehman, na entrevista coletiva.

O maior grupo de países do sistema ONU (G77, com 134 membros), os países menos desenvolvidos (LDC), os Estados insulares (AOSIC), assim como oito países latino-americanos que são membros da AILAC (Associação Independente da América Latina e Caribe) convocaram a imprensa para lançar esse apelo.

Nas edições anteriores da COP, a AILAC teve um papel mais mediador. Agora, com a virada à esquerda da imensa maioria dos governos da região, seus membros assumiram, de forma decidida, as posições do G77.

"Estamos ficando sem tempo, dinheiro e paciência", declarou o ministro da Mudança Climática de Vanuatu, Ralph Regenvanu, à imprensa.

- Todos devem contribuir -

"Todo mundo deve contribuir. E isso é algo que comuniquei a todos os nossos parceiros, e também ao meu colega e negociador chinês, Xie Zhenhua", reagiu o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans.

"Se estamos falando de justiça, devemos olhar para a posição em que os países se encontram agora, e não 30 anos atrás", defendeu.

A China é, hoje, o maior emissor de gases de efeito estufa e a segunda potência econômica mundial.

A União Europeia e, em paralelo, países como Alemanha e França, voltaram a anunciar iniciativas próprias nesta COP. Ontem, por exemplo, a UE colocou cerca de US$ 1 bilhão à disposição dos países africanos para se adaptarem à mudança climática.

O colombiano Canal Albán insistiu, contudo, em que o fundo deve ser criado de qualquer maneira, "independentemente de outras respostas que ocorram fora da Convenção-Marco da ONU sobre mudança climática".

- Lula quer "reconstruir" o Brasil -

A discussão sobre esse fundo foi aberta na COP26, realizada em Glasgow, há um ano.

Oficialmente, os quase 200 países negociadores ainda têm dois anos para chegarem a um acordo, mas o tema foi incluído na agenda desta conferência em Sharm el-Sheikh.

A pressão dos países em desenvolvimento é máxima para tentar avançar etapas na atual edição.

"Todas as partes e a presidência egípcia devem injetar forças renovadas" nestas últimas 24 horas de negociações, pediu Manuel Pulgar-Vidal, diretor de temas ambientais do Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês).

Hoje, a Presidência egípcia publicou um documento de trabalho que deixa em branco o ponto que menciona o dinheiro para um fundo de perdas e danos.

Esse não é o único tema financeiro polêmico.

Os US$ 100 bilhões anuais prometidos pelos países ricos àqueles em desenvolvimento para mitigar suas emissões de gases de efeito estufa e se adaptar à mudança climática não se materializou totalmente.

E, em Sharm el-Sheikh, as partes deveriam discutir o que fazer a esse respeito depois de 2025, quando esse montante deve ser aumentado.

O presidente brasileiro eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, que foi recebido como um herói na COP27 na quarta-feira, declarou, por sua vez, que quer "reconstruir" o país e, para isso, pediu ajuda em um encontro com a sociedade civil .

jz/meb/tt