Mercado fechado

Fim de contrato de goleiro Bruno foi 'decisão sensata', diz mãe de Eliza Samudio

AP Photo/Felipe O' Neill-Agência O Dia

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Após a perda de patrocínios e dos protestos, direção do Operário de Várzea Grande, no Mato Grosso, desistiu de negociar com jogador.

  • “Ele não pode ser um ídolo do esporte, isso seria uma vergonha - tanto para os outros jogadores, para os torcedores, para os pais de família”, diz mãe de Eliza. 

Passado o anúncio da desistência da direção do Operário-MT em assinar contrato com o goleiro Bruno, a mãe de Eliza Samudio, Sonia Moura, se diz "aliviada". Os dirigentes do time alegaram que a decisão precisou ser tomada após a perda de patrocínios e dos protestos contra a contratação.

A informação é da revista Época. Bruno foi preso há nove anos, quando ainda atuava pelo Flamengo, e, três anos depois, foi condenado a 22 anos e três meses de prisão pelo assassinato de Eliza.

Leia também

"Foi uma decisão muito sensata. Ele tem que trabalhar? Tem, mas dentro de um campo de futebol. Ele não pode ser um ídolo do esporte, isso seria uma vergonha - tanto para os outros jogadores, para os torcedores, para os pais de família que respeitam as mulheres que têm dentro de casa", criticou a mãe da jovem.

Responsável pelo filho de Eliza e Bruno, hoje com 9 anos, Sonia diz acompanhar as movimentações processuais do caso e as notícias sobre as possíveis contratações do goleiro. A aposentada conta ainda estar "indignada" com a concessão da progressão de pena ao regime semiaberto.

"As pessoas dizem que ele cumpriu a pena, mas se foi condenado a mais de 20 anos, por que ficou menos da metade disso? Ele tem direitos? Mas que direitos meu neto tem de crescer com a mãe? Ou que direitos eu tenho de ao menos conseguir enterrar o corpo da minha filha?", lamentou.

Dias atrás, na estreia do time no campeonato estadual, um grupo de mulheres protestou em frente ao estádio sobre as negociações que o Operários-MT estava tendo com o goleiro. Para Sonia, foi um ato de "solidariedade".

"Tem gente que defende, diz que ele errou e merece ser perdoado por isso. Mas erros têm conserto. O que ele fez foi cometer um crime cruel. Vê-lo jogando bola representa uma completa falta de justiça e a certeza de impunidade", criticou.