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Filme reúne depoimentos de Tonico Pereira e outros idosos sobre dores, delícias e sexo na terceira idade

·3 minuto de leitura

“Todo idoso tem seu valor. Eu digo que nós somos valiosos como a prata, porque a prata é um metal nobre, que passa de geração pra geração. A velhice é como a prata”, resume o artista plástico mineiro Sebastião Januário, de 81 anos, que participa, junto com mais 14 entrevistados, do documentário “Prateados — a vida em tempos de madureza”, que estreia hoje, à meia-noite, no GNT. A declaração de Sebastião sintetiza o que pretendem os diretores Valmir Moratelli e Libario Nogueira com a produção: mostrar a riqueza escondida na terceira idade.

— Um idoso, para mim, é uma biblioteca. O Brasil pensa enganosamente ser jovem, e não valoriza seus idosos. Copacabana, por exemplo, o bairro com mais idosos do Brasil, é todo pensado para os jovens passearem e consumirem. Não se pensa nos mais velhos — exemplifica Moratelli.

A produção, que após o lançamento estará no Globoplay, aborda diferentes visões sobre a velhice em amplos recortes de gênero, cor, profissão e aspectos econômicos.

— A gente pensa que quem tem 65 anos é idoso, e coloca todos no mesmo balaio. Primeiro que velhice no Brasil é privilégio, as taxas de envelhecimento são desiguais. Um morador de Ipanema tem perspectiva de vida muito maior do que uma pessoa de Acari. Segundo que a mulher envelhece quando não pode mais engravidar, enquanto que o homem, nessa mesma faixa etária, é um grisalho charmoso — compara o diretor.

Por ter sido produzido ao longo da pandemia, a morte se tornou um tema inevitável no filme. Moratelli conta que o maior desafio foi manter a integridade dos entrevistados. O documentário, no entanto, não se detém aos desafios dessa população, mas também da vitalidade dos mais velhos.

— É verdade que a taxa de mortalidade dos idosos é alta, mas se formos ver a taxa de mortes de negros jovens, é um absurdo. O filme ajuda a desvincular a ideia de morte à velhice. Todos os idosos demonstraram vontade de viver, eles gostam e querem estar vivos .

Os diretores ainda explicam que o filme tem uma carga reflexiva grande, mas não é melancólico. Moratelli antecipa, inclusive, que é possível dar altas risadas ao ouvir as histórias de alguns entrevistados.

— Uma coisa que é desconstruída nesse filme, por exemplo, é a ideia de que idoso não faz sexo. Tem uma senhora que conta toda as fantasias que deseja realizar depois da pandemia. Há a presença do Tonico Pereira, que foi pai já idoso. O sexo na terceira idade só é tabu para os mais novos, que pensam que seus pais e avós não transam. Entre os idosos se fala muito de sexo e se faz também — destacam.

Além das histórias de cada entrevistado, o filme joga luz sobre o desafio de ser idoso em um país que não valoriza os mais velhos.

— Fala-se muito de racismo, homofobia e machismo. O que é muito importante. Mas é preciso falar de etarismo também. A gente precisa despir o preconceito. Velho não é inválido, ele pode trabalhar, se divertir, amar, e ser feliz — frisa Moratelli, de 37 anos.

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