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Fila de vacinação em meio a culto evangélico provoca polêmica no Pará

·3 minuto de leitura
***ARQUIVO***SAO PAULO, SP, 13/09/2021, BRASIL - VACINACAO CONTRA O COVID-19 -  (Rivaldo Gomes/Folhapress)
***ARQUIVO***SAO PAULO, SP, 13/09/2021, BRASIL - VACINACAO CONTRA O COVID-19 - (Rivaldo Gomes/Folhapress)

BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - Alguns moradores de Ananindeua (PA) que logo pela manhã foram se vacinar contra a Covid na sexta-feira (17) tiveram uma surpresa. É que um dos locais de imunização foi o templo Labaredas de Fogo, onde o espaço se dividia entre pessoas que arregaçavam a manga para tomar a injeção e fiéis que participavam de um culto evangélico.

A cena foi capturada pela fotógrafa Nayara Jinkins e ganhou as redes sociais. Ela chegou ao local pouco antes das 8h com a namorada e presenciou a pastora pedir ofertas e cobrar o dízimo enquanto diversas pessoas aguardavam na fila da vacinação.

"Tinha pessoas em pé [no culto], outras pessoas em pé na fila esperando, outras sentadas. Para mim, o problema não é a palavra do senhor, e sim o local e o momento em que estava ocorrendo, no qual a igreja estava prestando um serviço para o público", afirma Nayara, que pegou a senha 401.

A prefeitura da segunda maior cidade do Pará disse ter sido uma questão pontual motivada pelo atraso no encerramento do culto.

Um trecho editado do vídeo que Nayara divulgou no Instagram foi publicado nas redes sociais do próprio prefeito de Ananindeua, Daniel Santos (MDB). Ele é do mesmo partido da vereadora Ray Tavares, pastora que comanda a Labaredas de Fogo em Ananindeua.

"Fico muito triste que alguém na casa de Deus diga estar no inferno! Meu muito obrigado a cada igreja evangélica e católica que se uniu ao poder público de Ananindeua para que juntos fossemos referência nacional de vacinação", afirmou Santos na rede social.

Em seu comentário, o prefeito se referiu a um dos vídeos de Nayara em que ela diz estar se sentindo no inferno. Não fica claro por que ela fez essa afirmação.

A fotógrafa afirma que, após a postagem do prefeito, recebeu comentários negativos e ameaças contra ela e a namorada.

Especialista em direito digital pela UFRJ, o advogado paraense Hugo Mercês diz que a publicação pelo prefeito pode ser considerada grave, pois o vídeo e a legenda descontextualizam o ocorrido.

"Quem divulga esse vídeo pode ser responsabilizado penalmente, e isso pode ser agravado pela publicação em meios digitais, onde a repercussão é muito maior", afirmou Mercês.

Ele ainda aponta a possibilidade de ser aberta ação de improbidade administrativa por divulgação de desinformação.

A fotógrafa, que é umbandista, diz ter se sentido também ofendida por citações contra religiões de matrizes africanas. Em um dos momentos do culto, a pastora afirma que "todo o mal será arrancado pela raiz", bem como "toda obra de macumbaria e bruxaria".

"Há um racismo estrutural e religioso, e infelizmente essas coisas são reproduzidas indiscriminadamente", disse Aiala Colares, pós-doutor em geografia e que atualmente coordena o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade do Estado do Pará.

"Esse uso ofensivo da palavra só ignora a diversidade do povo negro e de suas religiões, que inclusive possuem uma história de resistência na Amazônia", diz.

Em nota, a prefeitura lamentou o ocorrido e afirma que já tomou providências para evitar novos atrasos. Também classificou o evento como pontual e isolado.

"Um dos cultos que fazia parte da programação da igreja teve atraso em seu encerramento, coincidindo com o horário marcado para o início da vacinação", diz a nota que também afirma que o episódio não interferiu no andamento da imunização.

Em outro trecho da resposta, a assessoria da prefeitura diz: "Ninguém é obrigado a assistir a manifestações religiosas para tomar a vacina, qualquer que seja o credo. A prefeitura respeita todos os credos e só tem gratidão com essas instituições".

Procurada, a pastora Ray Tavares disse que prefere não comentar o assunto.

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