FGV: recuo da soja pesou na mudança de patamar do IGP-10

A inflação está em processo de desaceleração neste início de ano. Esta é a fotografia revelada pelo Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) em janeiro, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Para que o indicador de inflação fechasse com uma taxa mais fraca do que a de dezembro de 2012, passando de 0,63% para 0,42%, a principal contribuição partiu das commodities agrícolas, com destaque para a soja. A taxa do produto passou de -1,94% para -4,49%. "Esse aprofundamento na queda da soja é o fator mais importante para explicar a mudança de patamar do indicador de inflação", explicou o coordenador de Análise Econômica do Ibre/FGV, Salomão Quadros.

Além da soja, outros produtos foram destaque de desaceleração no atacado, como o milho (de 6,95% para 0,63%) e o arroz (de -0,47% para -4,15%). Também ajudaram a conter a inflação os suínos (de 6,55% para 3,80%), por causa da queda de preço das rações, e os bovinos (de 0,86% para -2,37%). Esses produtos fazem parte do grupo de matérias-primas brutas agropecuárias, cuja variação de preços perdeu ritmo em janeiro, passando de 1,10% para -0,51%, sobretudo por causa da aproximação dos períodos de colheita.

No sentido contrário, o IGP-10 captou a aceleração do trigo (de 3,43% para 9,15%) e das aves (de 4,74% para 6,38%). "A safra de trigo é de inverno. A reposição só acontecerá daqui a alguns meses, diferentemente da soja, que terá o estoque reposto logo. Teremos, em janeiro e fevereiro, uma nova onda de pressões dos derivados do trigo, como o pão francês. Ainda assim, o efeito global dos alimentos processados é de desaceleração", disse Quadros. O minério de ferro é outra matéria-prima bruta em alta (de 0,36% para 0,97%) a compensar as perdas dos agropecuários.

Entre os bens intermediários, ainda no atacado, Quadros destacou a desaceleração de preço do álcool anidro (de 9,16% para 4,29%), adicionado à gasolina. "Provavelmente, os estoques estão razoáveis, porque agora é fase de entressafra, mas a situação não é de escassez", disse o economista.

Já os bens finais estão acelerando por causa dos alimentos in natura, que puxaram o grupo Alimentação, de 1,02% para 1,78%. Os destaques são: batata inglesa (de -5,85% para 3,51%), mamão (de -8,70% para 19,14%) e ovos (de 4,0% para 6,19%). Entre os alimentos processados, em desaceleração, os destaques foram arroz beneficiado (de 0,97% para -2,95%), aves (de 5,13% para 1,31%) e carne bovina (de -1,00% para -1,06%). "Um ou outro alimento processado irá destoar nos próximos indicadores, mas há uma convergência de produtos rumo a uma taxa negativa", destacou.

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