FGV: indústria prevê produção maior mas sem contratar

A indústria de transformação espera começar 2013 com produção física maior, mas sem novas contratações. O Índice de Confiança da Indústria (ICI), divulgado nesta quarta-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta um aumento na confiança de 1,1% em dezembro ante novembro. A alta reflete o avanço no indicador de produção prevista para os próximos três meses - de dezembro a fevereiro -, que passou de 126,9 pontos em novembro para 135,3 pontos neste mês.

O resultado mostra que 39,4% dos empresários esperam que a produção até fevereiro seja maior do que nos três meses anteriores. Só 4,1% acreditam que a produção industrial será menor. Em novembro, esta última porcentagem chegava a 15,5%. "O indicador de produção para os próximos três meses foi muito favorável em dezembro, a despeito dessa expectativa que havia de queda do (benefício de desoneração do) IPI", avaliou o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Aloísio Campelo, em entrevista à imprensa para comentar os resultados da Sondagem da Indústria de Transformação de dezembro.

"A produção prevista para os próximos três meses vem mais forte, mas o indicador de emprego não dá sinal de vida. Está num patamar relativamente baixo em termos históricos", completou o economista. O emprego previsto chegou ao patamar de 109,0 pontos em dezembro, contra 109,9 pontos no mês anterior. A média histórica do indicador é 113,4 pontos. "Estamos seguindo essa hipótese de que a indústria num período de desaceleração mais forte demitiu menos do que seria normal, porque o mercado de trabalho está bastante pressionado e agora num momento em que começa a recuperar também não está com planos de voltar a contratar", explicou Campelo. A expectativa, portanto, é de estabilidade no emprego, apesar das previsões mais favoráveis à produção.

De acordo com o economista, a pontuação de 135,3 pontos para a produção prevista se afasta, positivamente, da média histórica dos últimos 60 meses para o indicador, de 127 pontos. Campelo afirmou que é possível que haja uma desaceleração da produção para os setores beneficiados pela redução do IPI no primeiro semestre de 2013, com a retirada gradual do benefício, mas mesmo assim há uma melhora na previsão de produção.

A produção prevista é um dos quesitos analisados pela FGV para elaborar o Índice de Expectativa (IE), que compõe o ICI junto com o Índice de Situação Atual (ISA). Em dezembro, o IE subiu 1,9%. "O ânimo dos empresários tem se mantido num patamar que, se a economia realmente mostrar sinais de recuperação nesse quarto trimestre e não houver mais surpresas no 'front' internacional, estariam mais dispostos a voltar a investir", afirmou Campelo.

A confiança na situação futura dos negócios, perspectiva para seis meses, também parte do IE, foi positiva em dezembro. O indicador se manteve nos 147,5 pontos, patamar igual ao de novembro. Campelo afirma que o resultado é considerado um otimismo moderado. O nível fica acima da média histórica dos últimos 60 meses, de 169,6 pontos.

Nuci e investimentos

Entre novembro e dezembro o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) aumentou ligeiramente, de 84,0% para 84,1%. Segundo Campelo, o resultado ainda não é um nível que "parece que chame investimentos expressivos". De acordo com o economista, para haver uma expansão um pouco mais forte dos investimentos, o Nuci deveria chegar próximo a 84,5%.

Situação Atual

O ISA, medido para a composição do ICI, ainda é tímido, de acordo com a FGV. A alta em dezembro em relação a novembro foi de 1,0%, passando para 104,6 pontos, inferior à média histórica de 106,5 pontos. "A demanda interna não está melhorando tanto assim. Há percepção de alguma melhora na demanda externa", comentou Campelo.

De acordo com ele, os estoques na indústria estão equilibrados atualmente, com alguns casos específicos como o setor automobilístico com pouco estoque. "Se nas concessionárias a demanda pode diminuir um pouco (com o fim do benefício do IPI), na ponta da indústria essa desaceleração de produção não vai ser tão forte porque precisam de alguma forma repor os estoques." A categoria tem 15,4 pontos porcentuais de empresas com estoques menores do que gostariam.

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