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FGV: Expectativa de inflação dos consumidores para próximos 12 meses fica estável em junho

Alessandra Saraiva

O índice calculado pela fundação segue no menor patamar histórico A expectativa de inflação dos consumidores brasileiros para os próximos 12 meses ficou estável no mês de junho, em 4,8%, seguindo no menor patamar histórico, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). Em relação ao mesmo mês do ano anterior, houve redução de 0,6 ponto percentual.

“Apesar de a mediana da expectativa da inflação dos consumidores permanecer no nível de maio, houve diminuição da inflação projetada pelas famílias dos extremos de renda da pesquisa. A boa notícia fica por conta do comportamento da renda mais alta que, pela primeira vez, encontra-se abaixo do patamar de 4%, convergindo cada vez mais para a expectativa dos especialistas de mercado”, afirma, em nota, Renata de Mello Franco, Economista da FGV IBRE

Tânia Rêgo/Agência Brasil

Conforme a FGV, em junho, 55,2% dos consumidores projetaram valores abaixo da meta de inflação (4,0%), a maior parcela nos últimos seis meses, enquanto a proporção de consumidores projetando acima do limite superior da meta de inflação (acima de 5,5%) para 2020 diminuiu de 32,1% para 30,4%.

Para Renata de Mello Franco, a expectativa de inflação dos consumidores tem potencial para desacelerar mais nos próximos meses. Para a técnica, o atual ambiente de menor demanda, causado pela crise de covid-19, não estimula aumentos de preços. Isso deve conduzir a novas desacelerações na taxa do indicador.

Ela comentou que a evolução por faixas de renda mostra que as famílias mais abastadas já aguardam essa diminuição na expectativa inflacionária. Entre as famílias com renda mensal acima de R$ 9.600,00, a expectativa de inflação para os próximos 12 meses diminuiu de 4% para 3,7% entre maio e junho. A técnica lembrou que normalmente essa faixa de renda tem maior acesso a noticiário econômico, como os impactos, por exemplo, no consumo interno com a crise na economia causada por covid-19.

As projeções de inflação em 12 meses entre famílias de maior renda estariam mais próximas às projeções de mercado, notou ela. A taxa para o IPCA em 2020 prevista pelo boletim Focus, do Banco Central, está em 1,61%. "Vemos que o IPCA [previsto] para esse ano está muito baixo", afirmou ela.

Ao ser questionada se a evolução de expectativas inflacionárias para famílias de baixa renda, que operam acima da média, poderiam inibir desaceleração de expectativas do consumidor, a técnica observou que essa faixa de renda, sozinha, não teria essa força. "Atualmente temos uma inflação de demanda, de serviços controlada" disse, notando que isso teria maior peso.

Ela admitiu, porém, que, especificamente entre consumidores de baixa renda, a expectativa é de patamar alto de preços. Isso porque já há expectativa de alta de preços nos alimentos no varejo, no curto prazo, devido a aumentos de preços agropecuários no atacado, já apurados nos Índices Gerais de Preços (IGPs) da FGV. Os alimentos têm grande peso no orçamento entre os mais pobres, lembrou ela. De maio para junho, a expectativa inflacionária em 12 meses para família com renda até R$ 2.100,00 passou de 5,8% para 5,7% entre maio e junho.