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FGV: Confiança da construção recua em março, com piora das expectativas

Valor

Índice de Expectativas cedeu 3,5 pontos em março, para o menor valor desde junho de 2019 O Índice de Confiança da Construção (ICST) da Fundação Getulio Vargas (FGV) recuou 2,0 pontos em março, alcançando 90,8 pontos. Apesar de duas quedas consecutivas, a média do índice no primeiro trimestre (92,6 pontos) é 2,7 pontos maior do que a média do quarto trimestre do ano passado (89,9 pontos).

O resultado negativo do ICST em março refletiu a piora da percepção dos empresários, principalmente em relação às expectativas para os próximos três e seis meses. O Índice de Expectativas (IE-CST) cedeu 3,5 pontos, para 95,5 pontos, o menor valor desde junho de 2019 (92,9 pontos).

O indicador de demanda prevista apresentou queda de 3,6 pontos, para 96,1 pontos, enquanto o indicador de tendência dos negócios para os próximos seis meses caiu 3,5 pontos, para 94,8 pontos.

Em relação ao momento presente, o Índice de Situação Atual (ISA-CST) se acomodou após nove avanços consecutivos, recuando de 86,7 pontos para 86,3 pontos. Apesar da queda do indicador de carteira de contratos de 1,5 ponto, para 85,1 pontos, o de situação atual dos negócios apresentou alta de 0,8 ponto, para 87,7 pontos.

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O Nível de Utilização da Capacidade (Nuci) do setor recuou pelo terceiro mês consecutivo. A queda de 1,0 ponto percentual (p.p.) o índice a 69,6%, menor patamar desde setembro de 2019. Neste mês, a maior influência para esse resultado foi a queda de 1,2 p.p. do Nuci de Mão de Obra, já que o de Máquinas e Equipamentos avançou 0,8 p.p.

A demanda permanece como principal fator de limitação à melhoria dos negócios das empresas da construção. No entanto, nesta sondagem surgiu a preocupação com a covid-19 entre os empresários da construção – no quesito Outros Fatores.

Nos próximos meses, a pandemia deverá ter impactos expressivos na atividade corrente do setor e afetar também o movimento de retomada, observa Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção da FGV, em comentário no relatório.

“A construção trabalha por ciclos prolongados, mas a disseminação da covid-19 muda o cenário. Em março, ainda não houve impacto expressivo nos negócios correntes, mas o Indicador de Expectativas já aponta a deterioração do cenário”, observou Ana Maria Castelo.

Segundo ela, “o segmento de Serviços Especializados, formado por um conjunto grande de pequenos empreiteiros, certamente sentirá mais e já em março foi o que acusou o maior impacto nas expectativas”.

A pesquisa coletou informações de 708 empresas entre os dias 2 e 23 deste mês. A próxima Sondagem da Construção será divulgada em 28 de abril.