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FGV: Com dúvidas na questão fiscal, incerteza da economia reduz ritmo de queda

Alessandra Saraiva
·2 minutos de leitura

Prévia mostra que indicador manteve trajetória em outubro, mas desacelerou A incerteza do mercado em relação à economia brasileira vem mostrando quedas sucessivas há cinco meses - mas, em outubro, embora os sinais sejam de continuidade no recuo, o ritmo de redução parece ter desacelerado. A observação partiu da economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) Anna Carolina Gouveia ao comentar a prévia do mês para o Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br), anunciada nesta quarta-feira pela fundação. No resultado preliminar, o indicador continua em queda, com recuo de 1,8 ponto na prévia de outubro ante o resultado completo de setembro, para 144 pontos. Mas essa baixa é a menos intensa desde maio, quando começou a trajetória de declínio do índice. Para a especialista, as crescentes dúvidas em relação à questão fiscal brasileira entre setembro e outubro levaram ao resultado. "Houve muito ruído [na questão fiscal] e também piora, dispersão na previsão dos especialistas para o Brasil", notou ela. No período da prévia, houve discussões em relação à sustentação de programas de auxílio emergencial do governo - bem como se as soluções apresentadas poderiam furar ou não o teto de gastos fiscais. Com incertezas futuras em relação ao lado fiscal do governo, o componente de expectativas do indicador sinaliza na prévia alta de 9,9 pontos, para 199 pontos. Esse componente, em seus resultados completos, mostrava recuo há quatro meses. O que ajudou o IIE-Br a continuar em queda foi o componente mídia, que recuou 4,4 pontos na prévia de outubro, para 125,6 pontos. A especialista alertou que, além do recuo em menor cadência, o indicador de incerteza ainda se posiciona em patamar elevado, distante da média histórica de 115 pontos observada antes do começo da pandemia, em março. "Se fizermos uma média de março até outubro, o indicador de incerteza está com média de 169 pontos. Isso é muito alto", ponderou a especialista. Além disso, o índice se posiciona 7,2 pontos acima do pico, registrado antes da pandemia, observado em setembro de 2015 (136,8 pontos) - quando o Brasil perdeu o selo de "investment grade", lembrou ela. Ao ser questionada qual seria a trajetória mais provável do índice, para os próximos meses, tendo em vista os resultados da prévia, a especialista foi cautelosa. Ela comentou que o cenário, principalmente as discussões sobre questão fiscal, tem mudado muito rapidamente. Se houver uma melhora, com menor ruído, nesse campo fiscal do governo, o índice pode voltar a cair de forma mais ágil - mas isso não é certo de ocorrer, observou a especialista. "Creio que, com os elementos que temos hoje, não temos como prever a trajetória do indicador", afirmou.