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Festa realizada no interior de São Paulo é investigada por apologia a símbolos de supremacia branca

Alma Preta
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Investigação feita pela Defensoria Pública decorre de uma denúncia ca deputada estadual Erica Malunguinho (PSOL), que aponta ligação de bandeira “dixie” com ideais racistas.
Investigação feita pela Defensoria Pública decorre de uma denúncia da deputada estadual Erica Malunguinho (PSOL), que aponta ligação de bandeira “dixie” com ideais racistas.

Texto: Nataly Simões

Uma festa realizada pelas cidades de Americana e Santa Barbara d’Oeste, no interior de São Paulo, é investigada pela Defensoria Pública Estadual por apologia a símbolos ligados a grupos racistas e de supremacia branca.

A investigação decorre de uma denúncia feita pela Mandata Quilombo, da deputada estadual Erica Malunguinho (PSOL), ao Núcleo Especializado de Defesa da Diversidade e da Igualdade Racial da defensoria sobre a utilização e exaltação da bandeira “dixie”, que ocupa todos os espaços da festa assim como o vestuário inspirado no exército confederado.

Segundo a denúncia, a bandeira é racista e nos Estados Unidos simbolicamente comparada à suástica nazista. Após o assassinato de George Floyd, em junho a bandeira foi o pontapé de protestos em estados como a Virgínia, onde uma estátua de Jefferson Davis, presidente dos Estados Confederados da América durante a Guerra Civil Americana, foi derrubada por manifestantes antirracistas.

A Mandata da deputada estadual reforça que o fato de o Brasil ainda ter mantido a escravidão por mais algumas décadas depois dos Estados Unidos fez com que a continuidade no sequestro de africanos escravizados atraísse os confederados derrotados para o país.

A denúncia recebeu o apoio de entidades e ativistas do movimento negro das cidades do interior paulista, que consideram os símbolos classificados como racistas como algo que não proporciona o sentimento de pertencimento ao lugar a todos os grupos sociais que contribuíram com a construção dos municípios.

“Há tempos o movimento negro brasileiro sinaliza a necessidade de mudanças nas formas de narrar a História do Brasil. A História oficial do Estado brasileiro ainda reproduz narrativas que excluem as experiências das populações negras e indígenas. Esta manifestação do racismo estrutural cria barreiras para a efetivação plena da democracia”, destaca a deputada Erica Malunguinho.

Festividade é realizada no Cemitérios dos Americanos, em homenagem à imigração de estadunidenses sulistas para a região em 1860.
Festividade é realizada no Cemitérios dos Americanos, em homenagem à imigração de estadunidenses sulistas para a região em 1860.

Organizada pela Fraternidade e Descendência Americana, dirigida por João Leopoldo Padovese, a festividade, sediada Santa Bárbara D’Oeste, conta com expressiva presença de cidadãos de Americana, município vizinho, que tem seu nome baseado na influência estadunidense confederada. Realizada no Cemitérios dos Americanos, em homenagem à imigração de estadunidenses sulistas para a região em 1860.

As Secretarias de Cultura e Economia Criativa e a Secretaria de Planejamento e Fazenda do Governo do Estado de São Paulo foram questionadas sobre os investimentos públicos para realização da festa. O requerimento também pergunta quais políticas públicas para promoção da igualdade racial e enfrentamento ao racismo têm sido implementadas pelas cidades de Americana e Santa Bárbara D’Oeste.