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Fertilizantes em alta podem elevar ainda mais preço de alimentos

·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Muitas pessoas não pensam muito sobre fertilizantes, exceto, talvez, quando passam por uma área agrícola particularmente “perfumada”. Mas, com os preços de alguns nutrientes sintéticos nos níveis mais altos desde a crise financeira, isso pode significar safras menores e mais gastos com alimentos no próximo ano, justo quando as cadeias de suprimentos globais começarem a se recuperar da pandemia.

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Uma tempestade perfeita de eventos - como condições climáticas extremas, paralisações de fábricas e novas sanções governamentais - atingiu o mercado de fertilizantes químicos este ano, abalando agricultores que já enfrentam a pressão dos custos crescentes para produzir alimentos. Os preços da ureia, um popular fertilizante à base de nitrogênio, disparou no início do mês para o maior nível desde 2012 em Nova Orleans, o principal centro de comércio de fertilizantes dos Estados Unidos. O preço de um fertilizante fosfatado comum conhecido como DAP está no nível mais alto nesse mercado desde 2008, segundo dados da Bloomberg.

“À medida que os preços dos fertilizantes continuam a subir, os agricultores irão cortar as taxas de aplicação, eliminar os fertilizantes inteiramente na esperança de preços mais baixos no futuro ou reduzir outros produtos agrícolas para compensar o maior gasto esperado”, disse Alexis Maxwell, analista da Green Markets, empresa controlada pela Bloomberg.

Produtores de milho, soja e outros grãos que alimentam o gado e são usados por fábricas de alimentos embalados já estão gastando mais do que o normal com sementes, mão de obra, transporte e equipamentos. Isso ajudou a contribuir para a forte inflação de alimentos no último ano. Um indicador das Nações Unidas para os preços globais dos alimentos está perto do maior nível em uma década, um problema que a alta dos fertilizantes poderia agravar.

“O custo dos fertilizantes é um dos maiores impulsionadores da inflação global de alimentos, agora que os preços de todos os três grupos de nutrientes - potássio, fosfato e nitrogênio - estão em níveis não vistos há cerca de uma década”, disse Elena Sakhnova, analista da VTB Capital em Moscou, em entrevista.

Uma confluência de eventos está por trás do aumento dos preços. Tempestades seguidas no final do verão na Costa do Golfo dos Estados Unidos impediram que produtos entrassem e saíssem e fecharam temporariamente fábricas na região, incluindo o maior complexo de nitrogênio do mundo, de propriedade da CF Industries Holdings. A empresa teve então que fechar duas fábricas no Reino Unido devido ao rali recorde na Europa do gás natural, a principal matéria-prima para grande parte do nitrogênio produzido globalmente. Na sexta-feira, a Yara International disse que, com os altos preços do gás natural, a empresa terá que reduzir cerca de 40% da capacidade de produção europeia de amônia, usada para fabricar fertilizantes.

Silvésio de Oliveira, produtor de soja e milho de 51 anos em Tapurah, no Mato Grosso, teve a sorte de se antecipar ao último aumento de preços. Em novembro passado, comprou 100% do fertilizante necessário para as duas culturas.

“Temos notado essa inflação de fertilizantes chegando”, disse. Oliveira conseguiu se adiantar porque é um ávido leitor de notícias de commodities, afirmou. “É um pouco de sorte, mas principalmente informação.”

Se agricultores reduzirem a quantidade de fertilizante usado, entre os mais afetados pode estar o milho, uma das culturas de maior produtividade, mas também cara de cultivar. Os fertilizantes respondem por cerca de 20% dessa despesa, disse Maxwell, o analista da Green Markets. Outros agricultores podem migrar para culturas mais baratas que requerem menos insumos, como soja, lentilhas e ervilhas, disse o produtor de milho e soja de Iowa, Ben Riensche.

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