Mercado fechado

Fernando Silva: 'O Santos é o centro do nosso projeto, e não vamos acomodar pessoas'

Fábio Lázaro*
·24 minuto de leitura


Nesta segunda-feira (30), o LANCE! abriu uma série de entrevistas com os candidatos à presidência do Santos, que tem pleito marcado para o dia 12 de dezembro. Até o sábado (05), um candidato por dia será entrevistado através do perfil oficial do L! no Instagram, o @diariolance, e no dia seguinte o bate-papo será publicado na íntegra no site.

Em ordem de registro de chapas, o primeiro candidato entrevistado foi Fernando Silva, da "O Santos Pode Mais". Confira a entrevista na íntegra.

> Veja a classificação do Brasileirão e simule os próximos jogos

O que te impulsionou a se candidatar à presidência do Santos em 2020?

Olha, a gente jã tinha liderado um movimento em 2001, quando aquela bola do Ricardinho não entra, porque a gente pensava que aquele momento era o fim do Santos, que tudo tinha acabado. E a gente foi para uma eleição, formamos um grupo que veio a se chamar “Movimento Resgate”, tivemos sucesso naquela eleição, junto com o Marcelo Teixeira. Logicamente que se a eleição fosse mesmo até hoje, a gente não iria ganhar, porque foi feito um sistema que não era pra ganhar a eleição mesmo, mas fizemos 45% dos votos, formamos uma oposição e ficamos 10 anos lutando pelo poder. Ganhamos em 2009, através do Luís Álvaro (de Oliveira Ribeiro – in memoriam) e podemos implementar aquele projeto que a gente tinha, da “Resgate”, dar transparência, profissionalismo. Esse projeto durou dois anos, porque o excesso de sucesso também dá problema, e tivemos problemas: a busca pelo protagonismo, a vaidade, os egos. Então veio a queda do Luís Álvaro, a renúncia, e aí começou três gestões que levaram o Santos para essa situação de hoje. Fui chamado em dezembro para reorganizar o movimento, para a gente vir com uma candidatura tentando colocar o Santos no centro do nosso projeto e não acomodar pessoas ao redor do Santos. Por isso fizemos uma chapa 100% homogênea, sem acordos políticos, completamos ela facilmente, fomos a chapa número um inscrita, sem acordos políticos e falando para o sócio que a gente vai ter uma equipe de primeira, de gestão. E montar equipe, o sócio do Santos Futebol Clube deve lembrar, montamos aquele time de executivos que encantou todo mundo em 2010 e 2011. Montar time a gente conhece, a gente sabe e é isso que a gente quer emprestar ao Santos Futebol Clube, para recuperar o seu lugar no mercado futebolístico brasileiro.

O Santos hoje possui grandes dívidas financeiras e as mais recentes gestões em sua grande parte assumiram o clube afirmando que essas pendências foram herdades. Na sua opinião, em que ponto esse declínio administrativo iniciou e como solucionar esses problemas em um triênio?

Isso vêm há muito tempo. Tirando os dois primeiros anos de mandato do Luís Álvaro, a dívida só aumenta. Então, todos contribuíram, tirando 2010 e 2011, quando tivemos superavit operacional no balanço, o resto foi sempre aumento de dívidas. Ela começou a ficar descontrolada a partir da famosa compra de Leandro Damião, que não foi só a compra de Leandro Damião, mas foi, naquela gestão, início de gestão Odílio (Rodrigues), a compra de mais de 30 jogadores com contratos que não espelhavam a situação financeira do Santos. Depois ela se agrava muito na gestão Modesto (Roma Júnior), a renegociação da dívida do Leandro Damião foi um absurdo, eu comparo a compra do Parque Balneário, nós fizemos uma péssima compra do Parque Balneário e duas vezes péssima foi a venda do Parque Balneário nas condições que foram feitas. Aí ela (dívida) se agrava e vem a gestão Peres que no melhor dos sonhos que pudéssemos ter, ou pesadelo, nunca se imaginava que iríamos chegar nessa situação. Hoje, todo o candidato à presidência do Santos precisa responder sobre a parte financeira. Eu peguei uma eleição em 2001 que todo mundo perguntava qual era o jogador que iríamos contratar, falava que se eu anunciasse um jogador ganharia a eleição, em 2014 o pessoal falava para anunciar um patrocínio máster para ganhar a eleição e agora a questão é como pagar a dívida. Não tem milagre. Primeiro, a gente diz que precisa recuperar a credibilidade do Santos no mercado. Depois, construir um orçamento responsável, que preveja as suas receitas recorrentes e aí você tem três cenários: com público, sem público, como vai ser o mercado pós-pandemia. A gente está perto de uma segunda volta, mas temos que prever o mercado pós-pandemia. Começa de um orçamento, reequilibrar as suas receitas e despesas. Logicamente você vai ter que segurar muitas despesas e para isso a gente tem um consultor, um executivo, que vai trabalhar com a gente, que é o Cesar Grafietti – alô moçada que está assistindo, joga no Google, César Grafietti –, é o cara mais importante em reorganização de dívidas. Eu vejo por aí muito candidato que fala que sabe reorganizar dívidas, não, quem sabe é o Cesar Grafietti, porque há 10 anos ele escreve sobre esse tema, que é a saúde financeira dos clubes brasileiros. E mais recentemente ele estava como consultor da CBF para escrever as regras do fair play financeiro. Para quem não sabe, nós já estamos de baixo das regras do fair play financeiro e já podemos ser advertidos, passivos de sanções, pela CBF, que possui indicadores de balanço que você precisa cumprir. Não tem milagre. Logicamente vai ter que descer juros, alongar prazo e principalmente voltar ter credibilidade no mercado. Você tendo credibilidade, gerando caixa para pagar, também com os famosos raios que caem na Vila Belmiro, venda de jogadores, contrato de TV, você vai equacionar esse passivo, porque o mercado depende muito de quem são as pessoas que estarão a frente do Santos e nesses últimos nove anos o mercado sempre leu que as coisas no Santos não eram muito claras. Então, sem credibilidade, sem pessoas, sem gestão, você não vai pagar esse passivo do Santos Futebol Clube.

Existe fórmula para solucionar ou estancar parte o integralmente os problemas financeiros do Santos sem onerar o desempenho esportivo?

Esse é o segredo de fazer muito com muito pouco. E só quem já esteve lá e tem experiência. O presidente do Santos tem que entender que o core business do Santos é o clube de futebol, então o cara tem que entender de futebol, no mínimo, pré-requisito para ser candidato à presidência do Santos é entender de futebol. E nós fizemos isso entre 2010 e 2011, muito com muito pouco. Não contratamos nenhum jogador que onerasse a nossa parte financeira. Foram muitas apostas, muito trabalho de base e a contratação do Robinho, que veio financiado por cinco empresas e ajudou a gerar um resultado esportivo e financeiro naqueles dois anos que todos sabem, que fomos de uma receita de 60 para 200, chegamos a 60 mil sócios. Então, não tem muito segredo: tem que conhecer do negócio. A gente não pode mais suportar um presidente, um grupo de pessoas que venha a se apoderar do poder, que vão aprender na função, que vão aprender exercendo o cargo. Hoje, qualquer decisão equivocada que você tiver na sua gerência custará muito dinheiro, e isso a gente precisa evitar.

Como o senhor enxerga e pretende lidar com as categorias de base do Santos, se eleito?

Nós temos nosso projeto, e pedimos para o pessoal entrar, porque em uma live não temos a oportunidade de falar todos os pontos, integrado para a base. A base se divide em três partes: captação, formação e transição. O Santos tem problemas em todas elas. A nossa captação está prejudicada, a nossa fábrica está obsoleta e a nossa transição não existe. Hoje você vê jogadores com 15, 16, 17 anos jogando. O centroavante que estreou não tem nem o contrato ainda firmado, quer dizer, não se toma cuidado com as coisas. Mas não é esse jogador, vários foram a mesma coisa. A transição é muito importante, porque o jogador não amadurece tudo na mesma hora, cada um tem o seu tempo,, maturação e você tem que respeitar isso. A nossa transição, sub-23, sub-20, tem que ser formado por basicamente 80% dos jogadores oriundos da base, que é o polimento que se dá. Se não você pega um balde de leite, enche ele e dá um bico nele, e você perde todo o dinheiro investido. Esses dias vi um dado impressionante: o tempo médio de um jogador na base do Santos é de 6,6 anos e o tempo médio de um jogador na base do Athletico-PR é de 3,3, isso ignifica que a gente está reciclando, renovando muito pouco, porque a gente não tem a captação. Coisa que a gente fez em 2010 e 2011, que foram as peneiras em várias regiões do país, assistir torneios, participar de campeonatos, recebe jogadores indicados por empresários locais, pessoas que indicam jogadores, se perdeu tudo isso, poque perdeu a credibilidade. O pessoal acha que vai mandar jogadores para o Santos e o empresário vai roubar, o empresário de plantão vai assinar contrato, a base não está mais estruturada. O que a gente anuncia? Anuncia que faremos o mesmo projeto que fizemos em 2010. Luiz Fernando Moraes, que é um dos profissionais mais capacitados para formação de base, está conosco e assume no dia 13, porque dia 12 a gente ganha a eleição e dia 13 ele precisa estar trabalhando para recuperar essa captação, para, de novo, colocar a formação em dia e principalmente trabalhar na transição dos jogadores para o time principal.

Como o senhor enxerga e pretende lidar com o futebol feminino do Santos, se eleito?

O futebol feminino mais ainda. O futebol feminino, se você for pensar, você precisa disputar todas as categorias. E não tem jogadora para todos os times de futebol que vão poder cumprir os campeonatos. Então, você vai ter que formar jogadoras. Se não você vai sair no mercado e vai ficar inviável você contratar jogadoras. Então, nós temos já um projeto de formação de formadora parecido com o que se tem no masculino, você vai ter que formar jogadoras. E também, as Sereias da Vila é uma marca muito forte, então o futebol feminino, junto com o futebol de salão e o futebol de base e profissional, eles forma a marca do Santos, por isso a gente tem um projeto superforte. Quem não se lembra, em 2010 e 2011, nós tivemos Falcão, Marta, Pelé e Neymar trabalhando para a marca do Santos. O Pelé tinha contrato com o Santos de exploração de imagem, o Odílio (Rodrigues) renovou e nunca pagou, então o contrato foi para a justiça e hoje nós não temos mais esse contrato, temos que fazer essa reaproximação para trabalhar essas marcas juntos. Sereias da Vila é uma marca a ser trabalhada pelo Santos Futebol Clube, então muita importância e muito foco. Aliado a isso, a presença da mulher no campo de futebol, traz o marido, namorado, o filho, por isso a gente quer centrar muito no público feminino. E para isso, a gente tem um foco muito grande no nosso projeto, porque no nosso Conselho de Gestão, que nós já estamos escalando e vamos anunciar até uma semana antes da eleição, tem a presença de uma mulher que, além de torcedora fanática do Santos Futebol Clube, sendo mulher, tem aquele olhar feminino, ela também é embaixadora do Santos Futebol Clube em Campinas. Então, ela sabe tudo o que um torcedor à distância sofre e os mecanismos de aproximação do Santos Futebol Clube. Então, a gente deu muito enfoque nisso, a gente em uma área chamada “Santos Social Clube”, que vai cuidar de engajamento, onde a figura da mulher vai ser vital no nosso projeto.

Como o senhor enxerga a possibilidade de inclusão de outras práticas esportivas no Santos FC?

O presidente interino quer fazer três anos em três meses, então ele está apontando para todos os lados, onde ele ouve solta um projeto. O projeto olímpico não é assim. Tenho conversado com o Rogério Sampaio, do COB, grande santista. Há ideia de ter pelo menos três a quatro esportes olímpicos, e um deles disputando campeonato, entrando com uma equipe já forte para disputar, e outros que a gente forme nas categorias de base, vai formando, subindo, ascendendo e transforma com aquele teu esporte olímpico. Logicamente que o esporte olímpico, a meu ver, depende de três coisas: iniciativa privada, uma marca forte, que nós temos, e depende da prefeitura, da onde for, mas ela precisa estar junto nesse projeto. Você vê as vezes projeto de clubes de futebol do Brasil, que estão com algum esporte olímpico, mas não necessariamente na cidade onde eles são sede, mas porque eles se juntam com a iniciativa privada e a prefeitura, é um projeto de marca, que joga com a camisa. Considerando isso, os esportes olímpicos são essenciais para o Santos Futebol Clube, mas se faz com o resultado dessas três grandes forças: dinheiro (iniciativa privada), marca e prefeitura.

Como o senhor avalia as prioridades de mando de campo de Santos Futebol Clube e o projeto de retrofit da Vila Belmiro?


Primeiro é o seguinte, eu tenho mais de 40 anos de sócio do Santos Futebol Clube, sócio remido, ex-Torcida Jovem, Camisa Preta e Branca, e ainda sou chamado em Santos como forasteiro, e isso é muito alimentado pela cidade, daí que você vê, ainda, candidatos lutando para fazer a eleição do Boqueirão contra o José Menino, contra a Ponta da Praia, o pessoal não quer tirar o centro do poder de lá. O Santos é do mundo, a maior torcida do Santos está fora de Santos, até por condições físicas, Santos tem uma população menor do que os outros centros. Agora, com essa votação online, que a gente tá lutando pra que ela ocorra, e vou até dar uma novidade para você, nós acabamos de protocolar no Conselho Deliberativo, através do presidente Marcelo (Teixeira), um pedido para que seja estendido por mais cinco dias, considerando que tivemos a cor rebaixada, estamos na zona laranja (no Plano São Paulo, mas, na verdade, o rebaixamento foi para a fase amarela), que se dê mais cinco dias para o pessoal que pretendia votar presencialmente rever isso e votar virtualmente. A chapa “O Santos pode Mais” protocolou isso e estamos aguardando a resposta do presidente Marcelo, porque o teste do voto à distância foi um sucesso, deu tudo certo, tivemos empresas contratadas, auditoria, cadastros todos “ok”, então a gente acha que mais cinco dias para se acomodar nessa nova situação seria conveniente nesse momento.

Quanto ao retrofit, o cavalo passou selado várias vezes na frente do Santos, e o Santos não se aproveitou. Hoje temos uma situação ótima, nós votamos a favor, o projeto é lindo e temos aqui ser o protagonista da discussão com a empresa de engenharia, com o operador do fundo de investimento, porque nós vamos negociar a parte de receita que vai caber ao Santos. Eles já têm o modelo que vão colocar na mesa e a gente vai ter que discutir isso. Lembrando que a gente vai ter que ficar de 30 a 35 anos nesse sistema de pagamento do dinheiro que eles vão investir, que é algo ao redor de R$ 250 milhões. O plano de negócios deles prevê várias coisas, mas a gente é, a princípio, muito favorável a isso, porque o Santos tem que ficar no mesmo patamar que os seus rivais. Quanto ao mando do jogo, o resto que fala é muito “mi mi mi”, jogar 50% aqui, 20% ali, 30% aqui, não existe mais isso, O próximo presidente vai assumir com três anos de mandato, onde 80% do mandato dele não vai jogar nem na Vila Belmiro, nem no Pacaembu. Então, tem que conhecer do negócio, tem que saber como vai lidar com ele. E nós temos uma maneira de lidar com isso, o mando de jogo é estratégico para o Santos Futebol Clube. Ele prevê três coisas para a nossa ideia: resultado esportivo, prevendo todas as condições de ganhar o jogo, claro que no futebol nada é garantido, mas você tem que jogar naquele campo que te dê mais condições de ganhar; estratégico para captar sócios, engajar sócios naquela região que você irá fazer o jogo; e você vai ter aquele jogo para fazer o maior resultado financeiro possível, dentro do match day e explorar todas as receitas possíveis para um jogo de futebol. Logicamente que se tiver um jogo que você contemple as três, está decidido o mando de jogo. Mas quem decide isso é a parte técnica, parte de marketing e o presidente, o Conselho de Gestão. Não é jogador que decide mando de jogo, não é técnico que decide mando de jogo. Então, o mando de jogo do Santos Futebol Clube nos próximos anos, para nós, deve respeitar isso, e espero que os outros candidatos estejam ouvindo isso e podem copiar sem problemas nenhum, porque quem já teve lá, quem conhece, e é assim que o mando de jogo tem que ser determinado nos próximos três anos.

Recentemente o atual Comitê Gestor do Santos apontou algumas inconsistências no cadastro de sócios do clube, como você enxerga esse episódio? Você acredita que isso pode interferir no pleito do dia 12 de dezembro?

A demissão do responsável pelam área, Daniel González, foi totalmente política, todo mundo sabe disso. Ele higienizou o cadastro, fez um trabalho brilhante. Se você quiser saber mais do trabalho dele, pergunta para todos os sócios, embaixadas. A relação sempre foi muito boa. O cadastro de 2019 para frente está perfeito, 99% auditado, ok. Essas inconsistências que apareceram foram de 2018, 2017, votação de impeachment de Peres, coisa que já passou. Hoje, se você pegar o cadastro de 2019, é isso que o presidente Marcelo (Teixeira) tem feito, ele está ok. Quem se sentir prejudicado, ou quem tiver a sua situação com algum problema, vai poder votar presencialmente, na Vila Belmiro, em uma urna separada, não tem problema nenhum. Isso não é mais do que 2%, 1,5% de todos os sócios. Você não pode prejudicar 99% dos sócios, porque tem algumas inconsistências. Então, se você pegar como base o cadastro de 2019, 01º de janeiro de 2019, vai estar ok. E se você falar que tinha 4 mil nomes sem CPF, isso tudo é antes de ter auditoria, o cadastro ok. Mais um decisão política que foi tomada contra o voto online. As pessoas falam uma coisa e fazem outra nas “quatro linhas”. Mas a gente espera que isso seja uma situação irreversível, o voto online vem aí, não tem como “voltar para trás”, mais de 6 mil sócios se credenciaram a votar virtualmente, à distância, isso é um avanço para o Santos FC. E acho que isso não é só pra tomada da escolha de presidente, você tem que usar esse recurso para tomadas de decisões estratégicas na vida do Santos. Têm decisões muito importantes que você não pode ficar restrito ao Conselho de Gestão ou ao Conselho Deliberativo, você pode consultar os sócios, e é isso que a gente pretende no nosso plano de engajamento, de recuperar os sócios que a gente tinha, é conhecer o seu público, conhecer os seus sócios. O plano de ação para tomada de decisões, você precisa trabalhar o seu banco de dados, precisa ter um cientista de dados e agente tem o melhor do Brasil, que se chama Fernando Fleury, junto com Eduardo Tega, Bruno Maia, que vão tocar essa parte de inovação, banco de dados, startups, pra gente recuperar a posição do Santos no mercado.

Você acredita que a inconsistência nos dados dos sócios, bem como algumas contrariedades ao voto à distância, poderá dar brechas para que chapas derrotadas tentem a anulação do pleito?

Acho que o presidente Marcelo (Teixeira) está tomando todas as providências para que isso não aconteça, logicamente sempre pode ter reclamação. Eu participei da eleição, em 2014 , que nós reconhecidamente ganhamos a eleição no primeiro sábado, e o presidente da Assembleia anulou a eleição por uma tentativa de fraude em uma urna, a três, por um voto. Em vez dele anular a urna e contar separadamente, ele anulou a eleição e jogou para o outro sábado. Obviamente a gente não tinha a mesma competitividade de um sábado para outro, porque o nosso voto reconhecidamente vinha de fora de Santos. E um candidato local, de Santos, ganhou a eleição. Passou muito tempo evoluiu-se. Os representantes de chapa tem feito reuniões junto com o Mesa do Conselho Deliberativo, e o presidente Marcelo e a sua equipe, e a Mesa do Conselho, estão tomando todas as suas precauções para que não ocorra. Mas, você sabe, no Santos se tem um histórico de tomada de decisões que deixa alguma coisa e depois judicializa-se. Não acho que esse seja o caso. Vai ocorrer tudo bem, e no dia 12 um grande contingente de sócios vão ter a possibilidade de participar essa eleição que democraticamente é excelente.

Como você avalia o atual Conselho Deliberativo do Santos e como pretende formar o seu, caso consiga o número necessário de votos para constituir cadeiras?

Olha, a gente tomou uma decisão dese o começo de não fazer acordo políticos. Então não temos “dívidas a pagar”, não temos “rabo a pagar”, diferentemente de outros candidatos que tem uma conta para pagar enorme no dia seguinte. O Conselho Deliberativo do Santos é super-atuante, politizado, tomou decisões nesses últimos três anos muito importantes na vida do Santos, a reprovação das contas do presidente Peres, expulsão do presidente Modesto, a indicação do primeiro impeachment do Peres, que os sócios depois acharam que deveria dar mais um voto de confiança para ele, a indicação do segundo impeachment dele, a aprovação do regimento interno, teve fatos muito importantes. O Conselho do Santos é bastante ativo e a gente pretende, logicamente, é certeza que vamos fazer mais do que 20%, vamos compor o Conselho, com a vantagem de que a gente é um grupo, dessa vez, homogêneo, grupo que pensa o Santos da mesma maneira, grupo gostoso. A gente não tem aquele problema de ter vários grupos dentro do seu grupo, porque quando começa os problemas você começa a conhecer. A pacificação do Santos se dá por gestão, não por acomodação política. A partir do momento que um grupo que promete uma gestão começa a entrega no dia seguinte, o Santos está pacificado e o Conselho ajudará muito o Executivo. O problema é que nos últimos três mandatos, o Executivo, o grupo de gestão do Santos Futebol Clube, não ajudou nada e o problema político ficou muito exponenciado.

Comitê de Gestão: necessário, desnecessário ou mal necessário?

Eu acho super-válido. A missão de elevar o Santos Futebol Clube não é de uma pessoa. No mínimo nove pessoas estarem envolvidas nessa. A gente tomou a decisão de ter um conselho de Gestão técnico, que seja um espelho, uma mentoria, um coach do Executivo, que é mais gente envolvida, cada um na sua área. Já indicamos quatro pessoas para o Conselho de Gestão, além do Reinaldo Guerreiro, meu companheiro desde 2014, um cara leal, empresário de Santos, conhece muito do futebol, conhece muito do negócio do futebol, temos o Sérgio Monteiro, que é o CEO da Corplastik, uma das empresas de ponta do mercado, a Cláudia Arraya, embaixadora de Campinas, mulher, a gente fala que vai ser a primeira mulher que vai ser eleita, porque o Rollo correu e colocou uma mulher rápido, só pra ele falar que teve a primeira mulher do conselho de Gestão, mas a Cláudia Arraya vai ser a primeira mulher eleita no conselho de Gestão de um clube de futebol, nós temos o Celso Loducca, publicitário renomado, que vai prestar a sua capacidade, nós temos José Augusto Conrado, conselheiro muito experiente, que vai fazer a transição, a interface entre Conselho Deliberativo e Executivo, tão importante conversar com o Conselho Deliberativo, cumprir os prazos, ter essa interface com a Comissão Fiscal, Comissão de Inquérito e Sindicância, com regimento interno, o conselheiro José Conrado vai fazer isso. Então, a gente vai anunciar mais três pessoas, mas sempre nessa linha de cada um no seu segmento. O nosso Comitê de Gestão vai ser escalado tecnicamente, não politicamente. As pessoas que estão no seu grupo político ou que você precisa compor politicamente, ou que é amigo do rei ou não é amigo do rei, então a gente viu o que deu certo. Em 2010 e 2011 isso deu certo, onde a gente tinha um Conselho de Gestão chamado de Guia, de Conselho de Administração, mas que levou o nome de Conselho de Gestão. A partir daí, o Conselho de Gestão só foi usado pelas três últimas gestões politicamente, e a gente acha que esse é o grande problema do Santos hoje.

Como você analisa a “Gestão de Transição”, do presidente Orlando Rollo e o “Comitê de Transição” montado para esse período?

Eu te falo que tenho até dificuldade, o Rollo contratou mais de 30, 40 pessoas, disse que estava no organograma, preencheu vagas Mas, cara, 90 dias, a três meses, era pra fazer uma transição soft. Por dia tem três, quatro ações. Até bola, credenciou bola, quer antecipar contrato de verba de Federação, de cota, antecipar venda de jogar. Cara, três meses. Eu tenho até dificuldade de acompanhar tanta ação que ele faz. Está parecendo mais que o Dório. Pensei que o Dória iria aparecer mais, mas ele está aparecendo mais que o Dória. Vamos lá, faz parte. Tem aí o Grupo de Transição, que você pergunta e eles te respondem, você protocola e eles falam, mas logicamente eles não perguntam nada a sua opinião, o que você acha, e se você não concorda ele rotula como candidato que está trabalhando contra o Santos. Todo mundo sabe que ele está na chapa 4, é o número 40 do Andrés Rueda. E logicamente ele está trabalhando na transição para o André Rueda, e isso faz parte também. Outra parte do grupo dele, ele colocou na chapa do Rodrigo Marino. Isso faz parte, eleição é isso mesmo, cada um escolhe o seu candidato e trabalha pra ele, não era de se esperar coisa diferente, mas tem que assumir que está trabalhando para o Andrés Rueda, sou do grupo do Andrés Rueda, e não querer sair bonito na fita, porque a sua opção política tem um preço. Quem gosta da gestão dele, quem acha que ele está fazendo uma boa gestão, vota no Andrés Rueda, porque ele está junto. Ele quer ser presidente do Conselho Deliberativo e está junto com o Andrés. Quem acha que esse modelo está certo, por favor. Quem achar que esse modelo não estar certo, que o modelo do “milionário de plantão”, cercado por algumas pessoas que não têm o Santos como o seu objetivo, vota na chapa um, que tem um modelo diferente da chapa quatro.

Consideração final

Sócio do Santos Futebol Clube, esse momento é muito importante na vida do Santos Futebol Clube, que passa a pior situação que já enfrentou nos últimos anos. Peço que você analise o seu voto, pegue informações de todos os candidatos, veja a ficha corrida, o currículo, o que ele é formado, habilitado a fazer, e principalmente as pessoas que rondam, cercam, o grupo, que são as pessoas que vão trabalhar no projeto e estão comprometidos com o projeto. Não vote no candidato que é amigo do amigo, amigo as sogre, do vizinho. Analise o seu voto. Entre nos programas de gestão, de trabalho, dos planos que cada chapa tem. Veja aquela chapa que tem a melhor condição de tirar da teoria, de deixar de ser uma lista de desejos e virar uma coisa concreta para o Santos FC. A gente tem certeza de que você fizer isso, o voto vai vir pra chama número um, que tem as pessoas mais qualificadas, pessoas que já estiveram dentro do Santos futebol Clube, pessoas que já trabalharam no Santos Futebol Clube, que conhece o negócio futebol, do mercado do entretenimento. Pessoas de inovação, pessoas de marketing, de negócios. Então, analise o seu voto, veja quem cerca os candidatos, os acordos políticos que foram feitos, se você acredita que vai dar certo e é bom pro Santos, não tem problema nenhum, mas analise isso, veja o que já deu certo, o que não deu certo e você coloca e participa da eleição dia 12, uma eleição democrática. Lanço até um desafio, que a gente tenha mais de 10 mil sócios votando nessa eleição.

* Sob supervisão de Vinícius Perazzini