Feriado restrige negócios com câmbio

Com o fechamento hoje da BM&FBovespa e de bancos em São Paulo, Campinas e no Rio de Janeiro, em razão do feriado de Consciência Negra, os negócios com câmbio ficarão restritos às operações de balcão das instituições financeiras de outras cidades do País que não decretaram folga. Osasco, na Grande São Paulo, além de Curitiba e Porto Alegre, na região sul, são alguns locais em que o mercado de câmbio está funcionando, mas os operadores esperam fechar poucos negócios. Nesse ambiente, a agenda internacional ganha maior atenção e o foco hoje é a reunião dos ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo), em Bruxelas.

O governo da França sediou ontem uma reunião entre representantes dos Ministérios de Finanças do país, da Alemanha, da Itália e da Espanha para acertar os últimos detalhes da solução que apresentarão para a Grécia, de acordo com o jornal espanhol El País. O diário afirma que na reunião que acontecerá mais tarde hoje em Bruxelas os ministros de Finanças da zona do euro darão uma aprovação preliminar à nova ajuda para o governo grego. Os ministros fecharão um "acordo político em princípio" para desembolsar até 44 bilhões de euros em empréstimos emergenciais para a Grécia, segundo o jornal. Os recursos só chegarão a Atenas no começo de dezembro e apenas depois que o governo do primeiro-ministro Antonis Samaras satisfizer a lista de condições imposta pelos credores.

Segundo o analista Ricardo Setton, que também é operador da mesa de câmbio do Banrisul, em Porto Alegre, apesar do rebaixamento do rating soberano da França, que perdeu a nota máxima da agência de classificação de risco Moody's, a notícia sobre a ajuda emergencial à Grécia tranquiliza os mercados nesta terça-feira. O bem-sucedido leilão de títulos do Tesouro da Espanha hoje também é considerado um bom sinal para o leilão de até 3,5 bilhões de euros em bônus previsto para a próxima quinta-feira, a despeito do adiamento contínuo do governo espanhol sobre um pedido de resgate a organismos multilaterais de crédito. Mais cedo, a Espanha vendeu 4,938 bilhões de euros (US$ 6,31 bilhões) em títulos do Tesouro de 12 e 18 meses, superando a quantia máxima planejada, que era de 4,5 bilhões de euros.

Em consequência, o euro se sustenta em alta desde cedo em relação ao dólar, que por sua vez opera em alta em relação a algumas moedas correlacionadas com commodities. Às 9h35, o euro estava em US$ 1,2807, de US$ 1,2782 no fim da tarde de ontem. Já o dólar norte-americano subia ante o dólar australiano (+0,19%), a rupia indiana (+0,23%) e o dólar neozelandês (+0,20%).

Setton, do Banrisul, afirma que a instituição deve operar normalmente hoje com seus parceiros internacionais, mas a falta de parâmetro de preço do câmbio doméstico, que é definido no mercado futuro da BM&FBovespa, deve provocar limitações, como dificuldades para fechar operações interbancárias, uma vez que algumas instituições parceiras de grandes centros financeiros estarão fechadas no País. "A formação da taxa de câmbio fica distorcida com o menor número de players no mercado. O movimento deve ser menor devido à falta de parâmetro para a formação da taxa", explicou.

O operador João Paulo de Gracia Correa, gerente de câmbio da Correparti Corretora, de Curitiba, concorda que a falta de parâmetro de preço normalmente afugenta os grandes players, sobretudo de comércio exterior. Segundo ele, a demanda hoje será pequena. "Só quem deixou para fechar alguma operação deve fazer cotação da moeda", prevê.

De Gracia Correa diz que uma característica do segmento, quando fecham os mercados em São Paulo, é operar com um alargamento maior do spread entre os preços de compra e venda de dólar. Desse modo, costuma haver menor oscilação de preço, já que há uma diferença maior entre as cotações nas duas pontas.

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