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Fenômeno na web, podcast ‘Caso Evandro’ inspira série documental do Globoplay

·4 minuto de leitura

Há quem diga que não existe ficção que supere a realidade no Brasil. E, neste sentido, os desdobramentos da morte de uma criança em 1992 no Paraná torna a tese ainda mais plausível. Com elementos como vingança, infidelidade conjugal, conspiração política e rituais satânicos, a trama foi contada no podcast “Caso Evandro” — que se tornou um fenômeno com mais de nove milhões de downloads — e estreará na próxima quinta-feira como uma série documental em oito capítulos , no Globoplay.

A produção, dirigida por Aly Muritiba e Michelle Chevrand, é baseada no podcast do jornalista e escritor Ivan Mizanzuk, que desta vez participou como consultor, além de dar depoimentos:

— Antes de o podcast sair, eu já tinha recebido um convite para uma adaptação para uma série de TV. O combinado foi que eu acompanharia todo o processo, além de ajudar a fazer o pré-projeto. O desenvolvimento aconteceu paralelamente ao do podcast e eu fui orientando sobre os caminhos que estava seguindo. Cada novo elemento descoberto afetou a construção dos roteiros. Acima de tudo, é importante frisar que a série de TV é uma visão de outras pessoas para essa história — afirma Minzanzuk.

Recursos visuais

Ele também escreveu um livro sobre a história, a ser lançado pela editora Harper Collins no início de junho:

— No podcast, à medida que a história avançava e ficava mais complexa, eu precisava retomar muita coisa para que o ouvinte entendesse a linha de raciocínio que eu desenhava. Na série de TV temos vários recursos visuais que facilitam isso, mas temos um limite de tempo de tela. Por isso, focamos nas partes mais importantes. O livro acaba sendo a versão mais bem-acabada da minha pesquisa e investigação, sem perder alguns detalhes e aprofundamentos que, creio, tornam a história mais instigante.

A sua trajetória no universo dos podcasts surgiu em 2011 com o lançamento do “AntiCast”, com bate-papos sobre assuntos culturais e sociais variados. Em 2015, ele criou o “Projeto Humanos”, em formato narrativo, do qual o “Caso Evandro” é a quarta temporada.

— Uma das minhas inspirações foi o podcast “Serial”, da jornalista Sarah Koenig, derivado do “This American Life”, um dos programas de rádio mais tradicionais e inovadores dos EUA. O “Caso Evandro”, além de contar a história dessa tragédia, busca ensinar ao grande público os problemas e as falhas graves que temos no nosso sistema judiciário e em nossas forças de segurança. Como diz o escritor Alberto Mussa, uma sociedade se define pelos seus crimes. De certa forma, o podcast é a minha tentativa de fazer uma profunda reflexão sobre segurança pública no Brasil — diz.

Novidades para o público

Na época da produção do projeto, Ivan conciliava a atividade com o trabalho de professor universitário, nas disciplinas de história da arte e arquitetura, história do design, planejamento gráfico e metodologia de pesquisa. Tudo foi feito nos seus horários vagos, com ajuda de profissionais voluntários e contribuições financeiras dos ouvintes. Com o sucesso do trabalho, ele foi contratado pela Globo e decidiu abandonar as salas de aula, pelo menos por enquanto. Atualmente, trabalha no seu novo projeto, um podcast para o Globoplay que tratará da série de crimes conhecida como o caso dos meninos emasculados em Altamira:

— Agora a minha estrutura de produção é bem diferente. Eu trabalho com uma equipe fixa de quatro pessoas, entre jornalista, roteirista e técnico de som. Já estamos com um material muito bom e fazendo leituras. A pandemia acabou atrasando todo o desenvolvimento, mas quero lançar esse projeto em 2022. Seria muito legal poder fazer entrevistas e apurações in loco, mas, ao mesmo tempo, existem outas soluções — diz.

Para Aly Muritiba, o diretor da série de TV “Caso Evandro”, um dos grandes desafios foi justamente a adaptação de um podcast de mais de 40 horas de duração para oito episódios.

— Houve a preocupação em fazer um exercício de condensação muito grande para que a gente não perdesse a profundidade do material e a seriedade da pesquisa. Revisitamos lugares que são mencionados no podcast e que não são de fácil acesso. Tivemos encontros com pessoas que passaram pelo processo e que ainda hoje estão machucadas por tudo que aconteceu. Foi um desafio emocional e ético, porque estávamos abordando um assunto muito delicado — comenta.

O diretor diz que os fãs do trabalho de Mizanzuk podem esperar uma série tão densa, séria e profunda quanto o podcast, mas repleta de novidades.

— Se no podcast o público ouve alusões a determinadas pessoas e personagens, na série eles poderão ver e sentir a emoção dessas pessoas. Além disso, houve um trabalho de recuperação de matérias jornalísticas da época — conclui