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Fed vai acelerar altas de juros, mas não está claro até que ponto

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Sede do Federal Reser em Washington
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Por Ann Saphir e Howard Schneider

(Reuters) - As autoridades do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, se alinharam em torno de planos para acelerar o ritmo dos aumentos de juros neste ano, mas continuam divididas sobre uma questão crucial para a atividade econômica: em que ponto parar.

Esse debate está apenas começando, mas se tornará mais crítico a partir de meados deste ano, à medida que os formuladores de política monetária avaliam a rapidez com que seus aumentos iniciais de juros reduzem os gastos das famílias e das empresas e se isso, por sua vez, diminuirá o ritmo da inflação, que está em níveis não vistos desde a década de 1980.

Uma recente escalada nos rendimentos de longo prazo fez pouco para melhorar as perspectivas de inflação e deixa o Fed numa conjuntura arriscada --dividido entre um ritmo ainda mais agressivo de aumentos de juros, que pode reduzir o tamanho da economia, ou um movimento muito lento que permitiria o enraizamento da psicologia inflacionária.

"É uma pergunta diabolicamente difícil", disse o presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, na semana passada, descrevendo as dificuldades que as autoridades do Fed preveem na determinação de quão longe os juros podem precisar ir para trazer a inflação de volta à meta de 2% do banco central.

A atual expansão econômica depende de o Fed acertar a resposta, e nem todos acreditam nessa possibilidade.

O ex-secretário do Tesouro dos EUA Lawrence Summers, que tem argumentado vigorosamente que o Fed esperou tempo de mais para responder aos aumentos de preços, escreveu recentemente que a inflação tão alta --de 6,4% pela medida preferida do Fed-- aliada ao baixo desemprego torna provável uma recessão dentro de dois anos.

O Fed dará o próximo passo em sua guinada de política monetária durante a reunião de 3 e 4 de maio, quando as autoridades devem aumentar a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual.

Mesmo as autoridades tidas como lenientes em relação à inflação, incluindo Evans, agora concordam que são necessários aumentos de juros em doses mais intensas que os tradicionais ajustes de 0,25 ponto percentual por reunião, dada a força da inflação.

Elas também concordam, no geral, com um aumento acumulado da taxa básica de juros para pelo menos 2,5% até o fim deste ano, ante nível próximo de zero estabelecido em 2020 para combater a breve, mas acentuada recessão causada pela pandemia de coronavírus.

Na última reunião do Fed, em março, as projeções das autoridades para o patamar apropriado dos juros até o fim de 2023 variavam de 2,1% a 3,6%, uma lacuna cavernosa que reflete riscos sobre a pandemia, a guerra na Ucrânia e outras forças amplamente incontroláveis, mas que também aponta a incerteza sobre como as empresas e os consumidores podem reagir a custos de empréstimos mais elevados.

As autoridades do Fed querem manter a recuperação nos trilhos e evitar, em particular, qualquer grande salto no desemprego ante a atual taxa de 3,6%, sem dúvida o mercado de trabalho mais forte desde a década de 1950.

Mas isso significa que elas precisam aliviar alguns dos extremos da economia atual, seja o salto de 35% nos preços médios das casas durante a pandemia ou os aumentos salariais que o chair do Fed, Jerome Powell, chamou de "insustentavelmente altos".

Dados de inflação na sexta-feira mostrarão se algum progresso está sendo feito, e um relatório de emprego para abril a ser divulgado na próxima semana fornecerá novas informações sobre o crescimento dos salários.

Mas as questões em torno da trajetória de política monetária do Fed ainda estão longe de serem resolvidas. Muitos economistas recentemente elevaram suas estimativas de quanto o Fed precisará aumentar os juros e aguardam a reunião da próxima semana para obter mais orientação.

O Fed pode elevar os custos dos empréstimos para mais de 4%, nível não visto desde antes da crise financeira de 2007 a 2009 e que provavelmente aumentaria os riscos de recessão, escreveram os economistas do Jefferies Aneta Markowska e Thomas Simons.

"A economia dos EUA está escalando o muro da preocupação", escreveram, com a disseminação da inflação e a força implícita da economia indicando que "o Fed terá de ser ainda mais agressivo".

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