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Fed traz instabilidade adicional para câmbio e dólar fecha em alta

Lucas Hirata

Prevaleceu um certo sentimento de frustração com a falta de indicações sobre opções mais agressivas para combater a crise A tão aguardada decisão de política monetária do Federal Reserve trouxe instabilidade adicional para o mercado de câmbio, o que acabou se concretizando no fim do dia em mais um motivo para realização de lucros após recuperação recente do real brasileiro.

Em um primeiro momento, até houve uma reação mais positiva, com a postura do Fed sobre juros baixos até 2022 e manutenção do ritmo de compras de ativos financeiros. No entanto, o movimento durou pouco e logo prevaleceu um certo sentimento de frustração com a falta de indicações sobre opções mais agressivas para combater a crise.

Com isso, o dólar comercial fechou em alta de 0,92%, aos R$ 4,9334, depois de ser negociado em um intervalo entre R$ 4,9599 e R$ 4,8391 ao longo da sessão. O real voltou a ser a moeda de pior desempenho do mundo na sessão, estendendo a pausa no processo de recuperação que vinha se formando nas últimas semanas.

“Inicialmente, o mercado gostou da indicação do Fed de que deve seguir comprando [ativos] no mesmo ritmo que vem fazendo e que as taxas de juros permanecerão em zero por mais dois anos. Só que daí os agentes pararam para pensar: se a economia precisa de tanta ajuda é porque não está tão bem e isso é ruim no curto e médio prazo”, explica Adriano Cantreva, sócio da Portofino Investimentos baseado em Nova York.

Ele afirma, porém, que as perdas nos ativos locais como o Ibovespa e o real se devem mais a uma realização de lucros do que uma mudança de cenário. “Tinha muito otimismo sem nada de concreto no Brasil”, explica. Ele destaca que, “nos EUA, a economia já vem reabrindo tem duas semanas em algumas partes enquanto no Brasil esse processo agora está começando, porém o movimento de recuperação [dos ativos] foi muito forte”.

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