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Fed poderá reduzir estímulos econômicos este ano, afirma Powell

·2 minuto de leitura
(Arquivo) Jerome Powell (AFP/Nicholas Kamm)

A economia e o mercado de trabalho dos Estados Unidos se recuperaram a ponto de a Reserva Federal poder começar a reduzir suas medidas de estímulo até o fim do ano, estimou nesta sexta-feira (27) o presidente da instituição, Jerome Powell.

O titular do Fed não apresentou um cronograma preciso, mas ressaltou que não há pressa em elevar a taxa básica de juros de seus níveis atuais de 0%-0,25%. Ele disse ainda que o órgão não reagirá a pressões inflacionárias que considera temporárias.

Em seu muito esperado discurso no simpósio anual do Banco Central em Jackson Hole, no estado de Wyoming, Powell declarou que, apesar do impacto da variante Delta do coronavírus, a economia americana continua se recuperando e mostrando um forte crescimento do emprego.

Com a campanha de vacinação, muitos comércios conseguiram reabrir e a taxa de desemprego caiu para 5,4% no mês passado, mais perto de seu nível de 3,5% antes da pandemia.

Para Powell, ainda há um caminho a percorrer para a economia e a variante delta do coronavírus adiciona mais incerteza.

Reduzir as compras de títulos manteria ainda uma grande quantidade de estímulo à economia, explicou.

Segundo Powell, "embora a variante delta represente riscos a curto prazo, as perspectivas são de um progresso contínuo até o recorde de empregos", um dos objetivos da Fed, assim como uma inflação por volta de 2% por um período prolongado.

A recessão pela pandemia foi "a mais curta" e talvez "a mais profunda que temos registro", enfatizou.

No entanto, com milhões de empregos recuperados, a Fed poderia reduzir suas compras de ativos de seu atual nível de 120 bilhões de dólares ao mês.

Quando a pandemia atingiu em cheio a maior economia mundial, a Fed reduziu ao mínimo suas taxas de referência para promover o crédito e o consumo, e começou a comprar massivamente títulos do Tesouro e títulos hipotecários com apoio federal para injetar liquidez no sistema financeiro.

- Temores de inflação reduzidos -

Powell voltou a minimizar os temores de uma inflação crescente, ao destacar que os gargalos que aparecem nas redes de produção e pressionam o índice devem ser resolvidos, e que os aumentos de salários não parecem ser transferidos para os preços.

A inflação, que era de 4,2% ao ano em julho, embora alta, deve cair à medida que vão diminuindo as pressões temporárias, como a alta dos preços dos carros usados, acrescentou.

Powell advertiu que agir para responder a pressões inflacionárias temporárias "pode fazer mais mal do que bem".

"Uma política inoportuna desacelera, desnecessariamente, a contratação e outras atividades econômicas e empurra a inflação para abaixo do desejado", explicou.

Ao mesmo tempo, alertou que, diante da necessidade de mais avanços no emprego, "esse erro pode ser particularmente prejudicial".

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