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Fed mantém juros, reduz previsão de crescimento e aumenta a de inflação

·2 minuto de leitura
(Arquivo) O presidente do Fed, Jerome Powell (AFP/Eric BARADAT)

O Federal Reserve (Fed) manteve sua taxa de juros de referência inalterada nesta quarta-feira, previu uma inflação mais forte este ano e revisou para baixo sua estimativa de crescimento econômico para os Estados Unidos, devido à variante delta do novo coronavírus.

A inflação deve chegar a 4,2% este ano, frente aos 3,4% estimados em junho, e cair para 2,2% em 2022. O banco revisou fortemente para baixo sua estimativa para o PIB, a 5,9%, frente aos 7% de expansão anual que previu em junho.

Em comunicado, o Fed indicou, após uma reunião de dois dias de seu Comitê Monetário, que poderá reduzir em breve a compra de ativos para injetar liquidez na economia, se "os progressos continuarem".

O Fed reduziu a um mínimo sua taxa de juros em 2020, quando a pandemia começou a afetar a economia americana, para apoiar o crédito e o investimento, mas também começou a comprar títulos do Tesouro e outros ativos, a fim de dar liquidez ao mercado naquele momento de tensão.

O presidente do banco, Jerome Powell, observou que a redução dessas compras de ativos, que chegam a US$ 120 bilhões por mês, poderá começar ainda este ano, mas que o aumento dos juros não acontecerá em breve, embora mais membros do banco considerem uma elevação da taxa no ano que vem.

Alguns integrantes do Comitê Monetário preocupam-se com uma inflação resultante desses estímulos.

- Otimismo relativo -

Powell disse que as dificuldades persistentes de abastecimento de materiais e contratação de mão de obra representam um risco para os preços. “A reabertura segue se chocando com dificuldades de contratação e outros problemas, que podem ser mais importantes e duradouros do que o esperado, o que representa riscos para a inflação”, indicou em entrevista coletiva.

A inflação mostra sinais de moderação, mas segue acima dos 2% esperados pelo Fed a longo prazo. Autoridades do banco advertem que o aumento dos preços pode durar mais do que o esperado.

Membros do comitê mostram-se relativamente otimistas quanto às perspectivas de crescimento. "Os setores mais gravemente afetados pela pandemia melhoraram nos últimos meses, mas o aumento dos casos de Covid desacelerou a recuperação", apontaram.

Uma nova sombra também paira sobre a economia americana: a possibilidade de o Congresso não aumentar o limite de endividamento e de o país não conseguir honrar seus compromissos.

"É muito importante" aumentar o limite do endividamento, uma vez que o não pagamento das dívidas do governo poderia causar "um dano grave" à economia, advertiu Powell nesta quarta-feira. “É muito importante que o teto da dívida suba oportunamente, para que os Estados Unidos possam pagar suas contas no momento devido."

Os membos republicanos do Senado adiantaram que não irão apoiar o aumento do limite de endividamento.

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