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Fed reduz taxa de referência a zero para tranquilizar mercados

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(Arquivo) O Federal Reserve (Fed) cortou neste domingo de forma surpreendente sua taxa de referência em um ponto, situando-a entre 0 e 0,25%, pelas consequências econômicas da pandemia do novo coronavírus

O Federal Reserve (Fed) cortou drasticamente neste domingo sua taxa de referência a zero, como vinha pedindo há meses o presidente americano, Donald Trump, para tranquilizar um mercado fortemente afetado pelas consequências da epidemia do novo coronavírus, sem sequer esperar a reunião de seu comitê monetário.

Ao mesmo tempo, o Fed participou de uma ação conjunta em nível mundial para garantir liquidez suficiente nos mercados financeiros nesta segunda-feira.

Na noite deste domingo, o Fed anunciou a decisão de cortar a taxa em um ponto percentual, para voltar a situá-la em um intervalo de 0% a 0,25%.

"Os efeitos do coronavírus pesarão sobre a atividade econômica a curto prazo e trarão riscos para o panorama econômico", diz o comunicado do Fed, assinalando que manterá a taxa dentro deste intervalo até o fim da crise.

Apenas um participante da reunião, Loretta J. Mester, presidente do Fed de Cleveland, votou contra a resolução e se mostrou favorável a uma redução menos severa.

O presidente Donald Trump elogiou a ação do banco central, em entrevista coletiva: "Me deixa muito feliz e quero felicitar o Federal Reserve. É realmente uma boa notícia, é realmente boa para o nosso país", expressou o presidente americano, ressaltando que os Estados Uniso são, "de longe, o país mais forte do mundo".

Esta é a segunda vez desde o começo de março que o banco central americano reduz sua taxa de referência sem esperar seu comitê monetário, o que não acontecia desde a crise financeira de 2008.

A redução da taxa de referência, que reduz o custo do crédito e estimula o consumo, visa a apoiar a economia, mas nada garante que será eficaz na luta contra a crise atual, sem precedentes.

- Ação mundial -

Os rumores sobre uma possível ação do Fed para tranquilizar os mercados antes da abertura desta segunda-feira correram durante todo o fim de semana, depois que Wall Street teve, na última quinta-feira, seu pior dia desde a queda da bolsa em outubro de 1987.

A epidemia ameaça o crescimento dos Estados Unidos, mas o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, disse hoje que não espera uma recessão em seu país, e sim uma desaceleração, apesar de numerosos prognósticos de economistas.

Já o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, advertiu que a economia americana deverá sofrer o impacto da pandemia do novo coronavírus no segundo trimestre.

"A atividade econômica entre abril e junho será fraca. Entretanto, a chance de recessão este ano irá depender do quão cedo se controlar o impacto da pandemia", disse Powell em entrevista coletiva, na qual afirmou que taxas de juros negativas não são apropriadas para a atual situação do país.

O Fed participou hoje de uma ação conjunta em nível mundial para garantir que haja liquidez suficiente nesta segunda-feira. A operação, que busca garantir uma disponibilidade suficiente em dólares americanos no mercado, afetou o Federal Reserve, o BCE e os bancos centrais de Japão, Reino Unido, Canadá e Suíça, segundo um comunicado da instituição europeia, com sede em Frankfurt.

O Fed também anunciou a compra de 500 bilhões de dólares em letras do Tesouro e de 200 bilhões em valores hipotecários.

Ante o pânico provocado pela pandemia do novo coronavírus, o Fed havia levado muita liquidez aos mercados durante a semana, injetando bilhões de dólares, e retomado as operações de compra da dívida americana através de letras do Tesouro.

Desde a última reunião do comitê monetário do Fed, o panorama das economias americana e mundial mudou por completo. O que no fim de janeiro era apenas um risco com consequências incertas, hoje pode derrubar a economia mundial.