Fed coloca dólar em queda após fluxo cambial negativo

O dólar fechou em declínio no mercado à vista de balcão nesta quarta-feira sob influência da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). O comunicado realinhou a trajetória da moeda norte-americana ante o real com o movimento no exterior.

Embora a divisa dos EUA tenha iniciado o dia em queda, em face do anúncio de leilões pelo Banco Central na véspera, e tenha aprofundado a baixa após a realização das operações nesta manhã, o dólar encontrou fôlego no fluxo cambial semanal para engatar alta no início da tarde, renovando máximas.

O dólar à vista fechou a R$ 2,0740 no balcão, com queda de 0,29%. Na máxima, bateu em R$ 2,0830 e tocou em R$ 2,0710, na mínima do dia. O giro financeiro somava US$ 2,222 bilhões pouco depois das 16h30. Na BM&F, a moeda spot encerrou cotada a R$ 2,0722, com recuo de 0,42% e 26 negócios (dados preliminares). No mesmo horário, o dólar para janeiro de 2013 era cotado a R$ 2,0785 (-0,29%).

O avanço do dólar à tarde foi revertido com a divulgação da decisão do Fed. "A decisão do Fed foi mais forte e mais ousada do que boa parte dos investidores esperava", afirmou o estrategista-chefe do Credit Agricole Brasil, Vladimir Caramaschi. "O principal é a mudança em diretrizes para inflação e emprego", observou.

O Fed substituiu a linguagem que citava que o juro ficaria excepcionalmente baixo até, ao menos, meados de 2015 por diretrizes "qualitativas e quantitativas", destacou o economista-chefe do Deutsche Bank para os EUA, Joseph LaVorgna. A mudança foi de referência de tempo para diretrizes, "indicando que o juro permanecerá excepcionalmente baixo enquanto a inflação estiver abaixo de 2,5% e o desemprego estiver acima de 6,5%. Este foi o principal foco do comunicado", disse o diretor de estratégia global de moedas do Brown Brothers and Harriman (BBH), Marc Chandler.

O BC dos EUA informou que vai comprar US$ 45 bilhões em Treasuries após o fim da Operação Twist. Além disso, o Fed vai continuar comprando títulos de agências lastreados em hipotecas adicionais, ao ritmo de US$ 40 bilhões por mês.

No mercado domestico, o BC fez leilões de venda de dólares conjugada com recompra com oferta de até US$ 1,5 bilhão. Nas duas operações, a taxa de venda da moeda foi R$ 2,080. No primeiro leilão, com recompra em 14 de janeiro de 2013, a taxa de corte ficou em R$ 2,088700. Na segunda operação, com recompra em 14 de fevereiro de 2013, a taxa de corte ficou em R$ 2,098685.

O fluxo cambial semanal, divulgado pelo Banco Central, mostrou que a saída de dólares do País superou a entrada em US$ 1,350 bilhão na primeira semana do mês, resultado puxado pelas operações comerciais, que responderam por uma saída líquida de US$ 1,244 bilhão no período. Logo após a divulgação da cifra, o dólar renovou máxima nos mercados à vista e futuro. O cenário mudou após os anúncios do Fed.

Em Paris, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, rebateu críticas dos agentes financeiros sobre a comunicação do governo quanto ao câmbio. "O governo não dá sinais contraditórios. São anos que eu digo que o nosso câmbio estava valorizado e que isso tirava competitividade da indústria", disse, ao comentar que, agora, o Brasil "conseguiu caminhar" nesse assunto. "Estamos hoje com um câmbio mais competitivo e mais equilibrado."

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