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Fed celebra melhora econômica, mas mantém política monetária de estímulo

·3 minuto de leitura
O presidente do Fed, Jerome Powell, durante audiência no Senado, em Washington DC

O Federal Reserve (Fed, banco central americano) manteve suas ultrabaixas taxas de juros e o mesmo nível mensal de compra de ativos, ao considerar que os setores afetados pela pandemia demonstram "melhoras", mas não estão completamente recuperados.

Em um comunicado publicado nesta quarta-feira (28) após a reunião de dois dias de seu comitê monetário, o banco central americano manteve - como o mercado esperava - suas taxas de referência entre 0 e 0,25% e o nível de compra de ativos em 120 bilhões de dólares mensais.

O Fed tampouco deu indícios de um endurecimento de sua política monetária, pois "continuará avaliando" os avanços da economia antes de reduzir seus estímulos.

"Graças ao avanço da vacinação e ao forte apoio político, os indicadores da atividade econômica e emprego continuam fortalecendo-se", destacou o Fed.

"Os setores mais atingidos pela pandemia mostraram melhoras, mas não se recuperaram completamente" e "persistem riscos sobre as perspectivas econômicas".

A variante Delta do coronavírus, que faz subir o registro de casos novamente em várias regiões do mundo, ameaça a recuperação americana.

- Sem calendário -

O Fed não deu indícios sobre datas de uma redução de seu apoio monetário.

Alguns analistas esperam um anúncio no fim de agosto, na conferência de bancos centrais do mundo em Jackson Hole (Wyoming), ou no final de setembro, na próxima reunião do Fed.

Os encarregados do Fed se mostraram favoráveis a um primeiro aumento de taxas em 2023.

O aumento dos preços nos Estados Unidos está experimentando seu ritmo mais rápido em 13 anos, +3,9% em um ano até maio para o índice PCE, seguido pelo Fed - e cujo dado de junho será publicado na quinta-feira - e +5,4% em junho para o índice CPI.

O Fed destacou novamente que o aumento de preços se explica "sobretudo" por "fatores transitórios".

O Fed prevê 3,4% de inflação em 2021 e uma queda próxima de seu objetivo de 2%, a 2,1% em 2022, e 2,2% em 2023, segundo seus prognósticos de junho que serão atualizados em setembro.

- Sucessão de Jerome Powell -

Nos grandes mercados há uma notória impaciência para saber como o Fed planeja evitar que os preços continuem subindo.

A instituição monetária não quer aumentar as taxas de referência cedo demais, temendo que isso freie a recuperação econômica e do mercado de trabalho.

Essa política vai na mesma direção da recomendação feita na terça-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) aos bancos centrais.

"Nossa recomendação é continuar com a abordagem de política monetária baseada em dados econômicos", disse Petya Koeva Brooks, diretora adjunta do FMI, durante coletiva de imprensa.

Portanto, não se espera um endurecimento apressado demais das condições monetárias, mas um acompanhamento atento da situação.

Por outro lado, espera-se que Powell responda a perguntas sobre sua sucessão.

Seu mandato de quatro anos termina no fim de janeiro e poderia ser renovado ou substituído, uma decisão que corresponde à Casa Branca, que até agora manteve silêncio sobre o tema.

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