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Fechar o ano com déficit primário inferior a 1% do PIB é bastante realista, diz Haddad

Lula e Haddad participam de assinatura de medidas no Palácio do Planalto

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira ser “bastante realista” a hipótese de o governo central fechar 2023 com um déficit primário inferior a 1% do PIB, contra a previsão atual de rombo de 2,16% do PIB.

A previsão foi feita apesar da apresentação nesta quinta de um conjunto de medidas que têm potencial de levar o governo a encerrar 2023 com um superávit primário de 0,1% do PIB.

Segundo ele, é possível que haja frustração em parte das iniciativas anunciadas, por isso a previsão para o fechamento do ano é mais modesta.

"Se vamos atingir o resultado máximo, vai depender da evolução do acompanhamento dessas medidas. Quando há várias ações que não dependem só de você, como a renegociação de dívidas administrativas, é difícil estimar", disse. "Não queremos passar para a sociedade uma situação que pode não se confirmar."

Em coletiva de imprensa para detalhar medidas econômicas, a primeira desde que assumiu o cargo, Haddad disse que o governo anterior tomou uma série de medidas irresponsáveis que deterioraram as contas deste ano.

Segundo ele, o objetivo de sua gestão é tentar encerrar 2023 com um nível de receitas e despesas similar ao observado em 2022, na proporção do PIB.

Na entrevista, Haddad indicou que o salário mínimo neste ano ficará em 1.302 reais, como proposto pelo governo anterior e que já está em vigor, sem aumento adicional.

O ministro argumentou que o valor em vigor já representa um ganho de 1,4% acima da inflação para o trabalhador. Isso ocorreu porque a inflação caiu no ano passado desde o momento em que a proposta de Orçamento para 2023 foi apresentada.

Ele explicou que o compromisso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha eleitoral foi de conceder aumento real, "o que já aconteceu, ele cumpriu agora e cumprirá nos próximos três anos".

De acordo com Haddad, o Orçamento deste ano tinha uma margem de 6,8 bilhões de reais para que um ganho adicional do salário mínimo fosse concedido, mas o valor foi consumido após o INSS acelerar a liberação de benefícios previdenciários.