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Fechamento de agências deve arrefecer em 2020, diz presidente do Itaú

Talita Moreira

Banco encerra cerca de 400 unidades neste ano, com foco naquelas com grande proximidade entre si O presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, afirmou nesta terça-feira que o fechamento de agências deve arrefecer em 2020, depois de o banco encerrar cerca de 400 unidades neste ano.

Segundo o executivo, o fechamento até agora se deu em unidades com menos de 500 metros de distância, quando uma delas é capaz de suprir absorver o movimento da outra sem impacto negativo para os clientes.

“Mas o estoque de agências próximas vai se esgotando. No futuro, decisões sobre fechamentos vão requerer análise muito mais aprofundada”, observou.

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O fechamento de cerca de 400 agências em 2019 vai gerar uma economia esperada de aproximadamente R$ 300 milhões por ano, afirmou o vice-presidente executivo de finanças, Milton Maluhy Filho. Cerca de metade desses fechamentos será feita no quarto trimestre.

De acordo com Maluhy, o banco deve encerrar este ano com cerca de 4 mil funcionários a menos no Brasil. Já houve uma redução no terceiro trimestre, em parte relacionada ao programa de desligamentos voluntários realizado pelo banco.

O PDV atraiu a adesão de 3,5 mil pessoas, metade do público elegível. Uma parcela de um terço desses funcionários já deixou o banco. A maior parte sairá no quarto trimestre e uma pequena parcela ficará para o início do ano que vem, disse Maluhy.

O PDV teve impacto de R$ 2,4 bilhões nas despesas antes de impostos do terceiro trimestre e, por enquanto, o Itaú não revelou quanto espera economizar.

Pagamentos instantâneos

Em teleconferência sobre os resultados do banco no terceiro trimestre, Bracher disse ainda que a plataforma de pagamentos instantâneos “iti”, que tem serviços gratuitos, pode provocar alguma canibalização na base de clientes do Itaú Unibanco. “Mas não estamos especialmente preocupados”, afirmou.

Segundo o presidente do banco, ainda não há canibalização, mas é quase certo que ela ocorrerá. O iti oferece conta de pagamentos gratuita, com serviços mais baratos que os de uma conta corrente.

No entanto, disse Bracher, o produto também vai atrair novos clientes para o banco, pois é voltado a um público complementar à base atual. Ele acrescentou que é preferível o próprio Itaú se lançar nessa iniciativa a deixar que concorrentes o façam.

“Não somos o único player no mercado. Se não lançarmos produtos que concorram com os nossos próprios, outros certamente irão”, disse.

O presidente do Itaú afirmou ainda que não vê um “boom” de abertura de contas no Brasil, como mencionado por um analista, mas reconheceu que há muita competição na área. Por enquanto, segundo Bracher, as contas abertas na rede física ainda têm melhor desempenho que as digitais.

“Estamos trabalhando intensamente nas digitais, mas as físicas ainda têm melhor qualidade”, disse.

Mais cedo, a jornalistas, Bracher disse que a aquisição da mineira Zup IT, anunciada nesta semana, vai ajudar o banco na transição de seus sistemas legados.