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Farmacêutica diz que remdesivir no início da covid reduziu internações em 87%

·2 minuto de leitura

A farmacêutica Gilead anunciou que o seu antiviral remdesivir demonstrou um resultado positivo quando administrado na fase inicial da covid-19. Segundo o estudo conduzido pela empresa, o medicamento reduziu em 87% as hospitalizações entre pacientes considerados de alto risco.

Os resultados foram divulgados apenas no formato de comunicado à imprensa, então os dados ainda não puderam ser apreciados pela comunidade científica nem pela Adminstração de Alimentos e Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos, órgão com papel equivalente ao da Anvisa no país. Assim, ainda vale a pena ter um "pé atrás" com o anúncio.

Com essas ressalvas em mente, se os dados se sustentarem, o anúncio poderia ter um impacto grande no tratamento da doença, com a possibilidade de uma intervenção nos estágios iniciais que efetivamente limite a replicação viral e impeça o agravamento de casos.

Medicamento seria capaz de conter o coronavírus na fase inicial de replicação viral (Imagem: Wirestock/Freepik)
Medicamento seria capaz de conter o coronavírus na fase inicial de replicação viral (Imagem: Wirestock/Freepik)

No entanto, mesmo que o remdesivir realmente funcione tão bem assim, sua utilização traria grandes desafios. Primeiro, um ciclo de tratamento com a droga pode custar R$ 17 mil, o que dificultaria sua utilização em grande escala. Segundo, ele tem aplicação intravenosa, então não é algo que um paciente possa fazer facilmente em sua própria casa.

Até agora, o remdesivir já tinha aprovação de uso contra covid-19 em vários países, inclusive o Brasil. No entanto, ele tinha utilização recomendada para pacientes internados, em estágios mais avançados da doença. Mesmo assim, sua eficácia sempre foi questionável; estudos da própria Gilead mostraram uma redução no tempo de internação, mas sem queda de mortalidade, mas isso não se confirmou em pesquisas conduzidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Neste estudo, a Gilead acompanhou 562 pacientes, divididos aleatoriamente entre quem recebia o medicamento e quem recebia o placebo. Do grupo placebo, 15 precisaram ser internados, com um óbito confirmado após o prazo de 28 dias do estudo; entre quem foi medicado, apenas dois precisaram de internação. Quando se leva em conta todos que se sentiram mal o suficiente para buscar atendimento médico, incluindo quem não precisou de internação, foram 22 do grupo placebo e 4 dos que receberam o antiviral.

A empresa promete apresentar o estudo com mais detalhes na IDWeek, uma conferência médica que acontece a partir de 29 de setembro. Até lá, os resultados foram compartilhados com a FDA para o início da análise.

Fonte: Canaltech

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