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Farmácias App registra alta de quase 1000% em suas transações mobile

Claudio Yuge

O Farmácias App é um site com versões mobile para Android e para iOS que funciona como um hub de vendas para milhares de farmácias brasileiras. A plataforma da Pharmacy, desenvolvedora de Blumenau (SC) nasceu em 2017 e desde então vem se tornando um canal que reúne várias lojas e produtos de todo o Brasil em um só lugar. A startup vem acumulando excelentes números durante a quarentena de prevenção ao novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Segundo os números divulgados pelo Mobile Time, o volume de transações realizadas por meio de apps Android e iOS entre os dias 18 de março e 26 de maio, quando comparados com 1º de janeiro a 17 de março, mostram um aumento de 938%. A receita subiu 662% e o número de usuários cresceu 825%. O tíquete médio diminuiu 27%, o que indica maior frequência de pedidos de menor valor. Esse panorama mostra bem o sucesso do app entre o período pré e durante a pandemia.

Farmácias App viu aumento de pedidos por itens de menor valor (Captura/Canaltech)

Os medicamentos antimaláricos, dentre os quais está incluída a hidroxicloroquina, tiveram aumento de 6.008% em faturamento e de 230% em quantidade de vendas em abril deste ano, em comparação com o mesmo mês de 2019 — embora o uso desses remédios sejam controversos e não recomendados para esse fim pela Organização Mundial da Saúde. A categoria de antissépticos, na qual se inclui o álcool em gel, registrou crescimento de 456% em faturamento e de 508% em volume de pedidos, no mesmo intervalo.

O Farmácias App adicionou 2,5 vezes mais farmácias nesses meses, em relação ao primeiro trimestre, e está perto de alcançar 1,5 mil pontos de venda cadastrados. “A pandemia ajudou a trabalhar a mentalidade do dono da farmácia para enxergar que agora é necessário (fazer a transformação digital). Antes, a limitação técnica e o alto custo eram impeditivos para dar o primeiro passo, especialmente entre aquelas farmácias independentes. Agora, as farmácias de bairro começaram a nos procurar porque o fluxo de pessoas nas lojas diminuiu muito. Elas tiveram que se reinventar rapidamente”, relata Robson Parzianello, CTO da empresa.

Não é um marketplace

O Farmácias App prefere não ser chamado de “marketplace”. Uma das diferenças em relação a páginas de varejistas, por exemplo, é que o checkout é processado por cada drogaria individualmente. A entrega também é de responsabilidade do estabelecimento comercial. Para facilitar o processo de cadastro de produtos por parte do lojista, o software mantém um banco de dados com 50 mil unidades de manutenção de estoque (ou SKUs, na sigla em inglês). Assim, a unidade precisa apenas identificar com quais trabalha, colocar seus preços e integrar a lista com o produto disponível para distribuição.

O Farmácias App cobra uma comissão de 5% por cada venda gerada, valor bem abaixo da média de outros marketplaces. Como os lojistas trabalham com margens apertadas, geralmente de 20%, o canal aparece como um atrativo para quem vê o fluxo de clientes cair com o isolamento social. O grande desafio do grupo é, agora, manter o estoque atualizado.

Fonte: Canaltech