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Famosos participam de campanha sobre cefaleia em salvas: saiba o que é e como diferenciar os tipos de dor de cabeça

Raphaela Ramos
·5 minuto de leitura
Foto: Reprodução

Já ouviu falar em cefaleia em salvas? Por ser pouco conhecido, esse tipo de dor de cabeça muito intensa pode demorar para ser diagnosticado e tratado. Pensando nisso, a atriz Simone Zucato reuniu alguns famosos para apoiar uma campanha de conscientização sobre o tema. Reinaldo Gianechini, Wendel Bendelack, Fernanda de Freitas, Ailton Graça, Inês Peixoto, Paulo Manduca e Rodrigo Fagundes são alguns nomes que participam da ação.

— A cefaleia é o termo técnico para a dor de cabeça, e esse tipo é "em salvas" porque acontece de tempos em tempos. Ocorre sempre do mesmo lado, em torno do olho, mas pode se espalhar pela cabeça — explica a neurologista pela UFRJ Maria Eduarda Nobre, que lidera a campanha, em parceria com a Sociedade Brasileira de Cefaleia e a Associação Brasileira dos Portadores de Cefaleia em Salvas (Abraces).

A especialista afirma que a cefaleia em salvas tem incidência em torno de 0,1% da população ao ano e é considerada "a pior dor que existe". Sua causa ainda é desconhecida.

— No período de um ou dois meses em que a dor está presente a pessoa fica inútil para trabalhar e viver, é muito debilitante. Existem casos de suicídio durante as crises — destaca Nobre.

Segundo a neurologista, a maioria dos pacientes demora em torno de seis anos para receber o diagnóstico, pois confundem com outras doenças, como enxaqueca, sinusite, ou algum problema relacionado ao olho.

— Nossa campanha é justamente para chamar atenção de que quando a dor é de um lado só, dura em torno de 45 minutos e olho lacrimeja sozinho é cefaleia em salvas — afirma.

A comunicadora Mariane Moura Barcelos, de 28 anos, sempre sentiu muitas dores de cabeça e pensava ter enxaqueca. Por volta dos 15 anos, procurou um especialista e foi diagnosticada com a cefaleia em salvas.

— Eu nunca tinha ouvido falar sobre, até receber o diagnóstico. Às vezes a dor é bem intensa, então não consigo ficar no computador e celular, que são alguns dos meus meios de trabalho. Também costumo ficar mais reclusa — diz.

Mariane passou por um tratamento, que conta ter ajudado bastante. Ficou um tempo sem ter crises, mas recentemente voltou a sentir as dores, por isso está com consulta marcada para ir ao médico novamente. Ela acredita que campanhas sobre a cefaleia em salvas são importantes, pois a maioria das pessoas nem sabe que ela existe.

— Muita gente acha que é só dor de cabeça comum. Campanhas assim ajudam a perceber que exige outro tipo de doença — afirma.

A cefaleia em salvas não tem cura, mas pode ser tratada de três formas, todas somente no período da salva, ou seja, quando as crises estão ocorrendo. A primeira é preventivamente, começando a tomar remédio logo nos primeiros sintomas para não deixar a crise de dor forte acontecer. A segunda é justamente tratando a dor quando ela ocorrer, e a terceira é chamada de transição, para ajudar enquanto o tratamento preventivo ainda não está fazendo efeito. Para o alívio das dores, podem ser usados remédios injetáveis e em forma de spray nasal e oxigênio em uma dosagem específica.

— O tratamento é muito específico. O que é usado para a enxaqueca, por exemplo, não funciona. Por isso nós batalhamos muito na questão do diagnóstico. Ele é clínico e é até fácil de identificar. Mas para isso as pessoas têm que conhecer os sintomas — explica Nobre.

A neurologista acrescenta que a Sociedade Brasileira de Cefaleia tem profissionais especializados pelo Brasil inteiro, que podem ser encontrados no site.

— Em todas as cidades tem alguém filiado, e existem serviços públicos que também oferecem atendimento. A Abraces também dá esse suporte, isso é importante para ninguém se sentir desamparado — afirma.

Enxaqueca - Geralmente de origem genética, é a dor de cabeça que costuma ocorrer na têmpora, varia de lado, é latejante e dura várias horas. Piora lentamente até chegar no ápice. Pode ser acompanhada de fobia à luz e cheiro, o paciente costuma fica enjoado e pode vomitar. Tem gatilhos marcantes como estresse e período menstrual, e o repouso alivia a dor. Piora se movimentar a cabeça. Costuma começar na infância ou puberdade e continua ao longo da vida. É mais comum em mulheres.

Cefaleia do tipo tensional - Dor leve a moderada, geralmente ocorre uma pressão na cabeça toda, como um capacete. Costuma acontecer no final do dia, por cansaço ou estresse emocional. Passa com uso de analgésicos comuns ou até sozinha. Também melhora com atividade como caminhada ou exercício. Geralmente não provoca fobia à luz, barulho e cheiro, nem enjoo. Não tem relação com histórico genético.

Cefaleia em salvas - Dor muito intensa. O período de salva, quando ocorrem as crises, costuma durar um ou dois meses, então a dor desaparece e volta anos depois. A dor costuma ocorrer todos os dias, por volta de 45 minutos, podendo se repetir, e é mais comum de madrugada. Acontece sempre do mesmo lado, em torno do olho, que fica vermelho e lacrimeja, a narina entope ou escorre só de um lado e a pálpebra cai. Depois volta ao normal. A pessoa pode ficar agitada e é impossível fazer qualquer atividade. Costuma iniciar no adulto jovem e é mais comum em homens. Não melhora com uso de analgésicos comuns.

Dor de cabeça secundária - Quando a dor de cabeça é sintoma de alguma outra doença, como a sinusite, por exemplo, entre diversas outras. Existem mais de 300 tipos. Nesses casos, é preciso tratar a doença para que a dor de cabeça não ocorra.