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Família Bolsonaro sustentou campanhas eleitorais com dinheiro vivo, diz jornal

João de Mari
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Brazil's President Jair Bolsonaro speaks to supporters outside his official residence, Alvorada Palace, as he arrives to spend New Year's with family in Brasilia, Brazil, Tuesday, Dec. 31, 2019. Heading into his second year as president, Bolsonaro has held firm to his combative culture-warrior policies while feuding with critics at home and abroad — an approach that has thrilled supporters but eroded his efforts to win allies and lift the world’s 9th-largest economy out of its doldrums. (AP Photo /Eraldo Peres)
Neste período, foram injetados R$ 100 mil em espécie que, corrigidos pela inflação, chegam a R$ 163 mil (Foto: AP Photo /Eraldo Peres)

A família Bolsonaro sustentou campanhas eleitorais de 2008 a 2014 com dinheiro vivo. Segundo reportagem publicada pela Folha de S. Paulo, nesta quarta-feira (23), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus filhos fizeram diversas doações para complementar o orçamento das campanhas.

De acordo com o jornal, a prática funcionou por meio de autodoações em dinheiro vivo e de depósitos em espécie feitos por um membro da família em favor de outro. Neste período, foram injetados R$ 100 mil em espécie que, corrigidos pela inflação, chegam a R$ 163 mil.

Em duas candidaturas, do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), a utilização de cédulas foi responsável por cerca de 60% da arrecadação da campanha.

Na corrida à Câmara Municipal do Rio em 2008, Carlos doou para a própria campanha R$ 10 mil em dinheiro vivo. Flávio também colocou R$ 10 mil e, Jair, R$ 15 mil. Os R$ 35 mil em espécie injetados pela família representam cerca de 60% de todos os recursos arrecadados por Carlos naquela campanha.

Já Eduardo recebeu R$ 30 mil em espécie para sua campanha a deputado federal, em 2014, ano em que estreou na política. De acordo com o jornal, o valor corresponde a mais de 60% de todos os recursos angariados.

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Transações em espécie não configuram crime. No entanto, podem ter como objetivo dificultar o rastreamento da origem de valores obtidos ilegalmente. Hoje, por exemplo, esse tipo de movimentação é comunicada automaticamente ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) quando ultrapassa R$ 10 mil.

O uso frequente de dinheiro vivo para pagar contas pessoais é frequente na história da família Bolsonaro que, inclusive, é suspostamente utilizado até na quitação de imóveis em espécie, costume atualmente investigado no chamado caso das "rachadinhas" na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).

Carlos, por exemplou, pagou R$ 150 mil em dinheiro vivo por um imóvel quando tinha apenas 20 anos de idade, em 2003. O valor hoje, corrigido pelo IPCA, é equivalente a R$ 366 mil. As informações são do jornal Estado de S. Paulo e foram publicadas nesta quarta-feira (23).