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Família de vítima de acidente no Reino Unido faz acordo com esposa de diplomata americano

·2 minuto de leitura
Charlotte Charles (D) e Tim Dunn, pais do jovem Harry Dunn, morto em um acidente de trânsito causado pela esposa de um diplomata americano, deixam o gabinete do secretário de Relações Exteriores do Reino Unido em Londres, em 9 de outubro de 2019 (AFP/DANIEL LEAL-OLIVAS)

A família de um jovem britânico que morreu em um acidente de trânsito causado pela esposa de um diplomata americano anunciou nesta terça-feira (21) que chegou a um acordo com a outra parte em uma ação civil nos Estados Unidos.

Harry Dunn, de 19 anos, morreu em agosto de 2019 quando sua motocicleta colidiu frontalmente contra o carro conduzido por Anne Sacoolas, perto de uma base militar dos EUA em Northamptonshire, na região central de Inglaterra, e que circulava na contramão da via.

O caso afetou as relações entre Londres e Washington depois que a mulher deixou o Reino Unido alegando ter imunidade diplomática. Além disso, os Estados Unidos se recusaram a extraditá-la.

A família de Dunn então apresentou uma acusação contra Saccolas em um tribunal nos EUA, no estado da Virgínia, alegando perdas e danos. Durante a instrução do processo, a mulher reconheceu que dirigia pelo lado errado da estrada no momento do acidente.

O Reino Unido adota a chamada "mão inglesa", na qual o sentido de circulação do tráfego fica do lado esquerdo, o contrário do utilizado nos EUA e na maior parte do mundo.

Radd Seiger, porta-voz dos pais de Dunn, Charlotte Charles e Tim Dunn, informou hoje que "as partes tinham chegado a um acordo".

"É um grande alívio", acrescentou Seiger à agência de notícias britânica Press Association, mas sem oferecer detalhes sobre os termos do acordo.

"Nunca é fácil travar uma batalha legal para obter justiça no exterior, e menos ainda nos Estados Unidos. Mas a coragem e a determinação da família para levá-la adiante têm sido incríveis", acrescentou.

Em julho deste ano, o Reino Unido informou que o presidente dos EUA, Joe Biden, que perdeu sua primeira esposa e uma filha em um acidente automobilístico em 1972, havia, em princípio, aceitado um julgamento à distância contra Sacoolas.

Contudo, Washington alertou que não concordava com sua extradição, já que, segundo relatos, Sacoolas e seu marido, assistente técnico na base militar, trabalham para o setor de inteligência americano.

Seiger afirmou que a família Dunn se concentrará agora nas ações penais que atualmente estão em curso, com as quais busca anular a decisão judicial sobre a imunidade diplomática de Sacoolas.

"A família de Harry jamais poderá superar esta perda, mas está mais decidida do que nunca para seguir em frente", e também solicita uma investigação do Parlamento britânico para saber como o caso foi gerenciado pelas autoridades.

csp/phz/ach/age/erl/rpr/mvv

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