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Família de paciente que morreu uma semana após ser atendida por falso médico em UPA no Rio procura a delegacia

·3 minuto de leitura

RIO - A família de uma idosa de 65 anos que foi atendida pelo falso médico Itamberg Oliveira Saldanha, de 31 anos, esteve na 12ª DP (Copacabana) na tarde desta terça-feira. Em depoimento na delegacia, a filha da paciente relatou que a mãe ficou internada UPA de Realengo dois dias, foi transferida para o Hospital estadual de Anchieta e acabou falecendo. O falso médico foi preso em flagrante nesta terça, enquanto trabalhava na UPA.

A mulher relatou que a mãe esteve na UPA nos dias 5 e 7 de maio. Nas primeira ocasião, ela foi atendida e liberada. Na segunda, precisou permanecer na unidade, utilizando uma máscara de oxigênio. A mulher relatou que a idosa ficou sob os cuidados de Itamberg durante todo o dia 8, sendo transferida para o Hospital de Anchieta no dia seguinte.

A idosa morreu no dia 15 e foi enterrada nessa segunda-feira. A Polícia Civil vai apurar as circunstâncias da morte da idosa e do atendimento recebido pela paciente na UPA.

Em entrevista ao GLOBO, a filha da idosa, que pediu para não ter seu nome revelado, relatou que sua mãe teve uma piora muito rápida em seu estado de saúde, o que causou estranheza à família. Após saber que a idosa ficou sob os cuidados de um falso médico, ela questiona se a mãe teria sobrevivido caso tivesse sido atendida por um profissional qualificado.

- Desde o dia 7 de manhã, foi ele (Itamberg) que cuidou dela. Colocou no soro, no oxigênio e falou que o pulmão dela estava comprometido. Apesar disso, minha mãe estava aparentemente bem. Nós estranhamos porque ele só deu corticóide para ela e mais nenhuma medicação. No domingo (dia 8), ele nos chamou lá fora (da UPA) para nos avisar que o caso dela tinha piorado e ela precisaria ser transferida e entubada - relatou.

Segundo a filha, a idosa foi transferida para o Hospital estadual Anchieta, no Caju, e logo que deu entrada na unidade de saúde, foi entubada. No dia 15, a paciente faleceu por complicações da Covid-19.

- Talvez se ela tivesse recebido atendimento de um médico, alguém preparado realmente, o final não teria sido esse. Minha mãe não teria morrido. Como uma pessoa coloca a vida de pacientes em risco assim? Covid é algo muito grave. Quero que ele pague pelo que ele fez - afirmou.

Contratado com nome e CRM de médico

Itamberg foi contratado para trabalhar na UPA usando o nome e CRM do médico Álvaro Pereira de Carvalho. Segundo informações da Polícia Civil, o homem atendia na sala amarela, na ala de pacientes com Covid-19, e chegou a ser vacinado contra a doença. A estimativa é de que o falso médico tenha feito mais de 3 mil atendimentos desde janeiro deste ano. Em salários, ele ganhou cerca de R$ 100 mil no período. Segundo informações da polícia, Itamberg realizava uma média de 70 atendimentos por plantão.

As investigações da 12ª DP tiveram início após Álvaro procurar a delegacia para relatar que seu CRM estava sendo utilizado por um homem que atendia na UPA de Realengo.

Itamberg chegou a ser vacinado contra a Covid-19 no lugar de Álvaro. Quando o verdadeiro médico tentou ser imunizado, foi impedido porque seu nome já constava como pessoas que tinham recebido uma dose contra a Covid-19. Apenas após consegui esclarecer o que havia ocorrido, Álvaro conseguiu se vacinar.

A delegada titular da 12ª , Bianca Lima, afirma que ficou estarrecida com o fato de Itamberg estar trabalhando em uma ala para pacientes da Covid.

- É uma doença na qual os pacientes podem ter quadros que evoluem muito mal e forma rápida. Então o tratamento precisa de um olhar bem especializado, técnico. É uma situação absurda - analisa a delegada.

Aos policias, informalmente, Itamberg relatou que estudou medicina na Universidade Gama Filho até o 6º período. No entanto, acabou ficando sem dinheiro para custear os estudos, deixando de frequentar a universidade. Ele admitiu não ser médico. Um dos policiais responsáveis pela prisão do falso médico esteve recentemente internado no CTI com Covid-19.

Itamberg deve responder pelos crimes de tentativa de estelionato, falsidade ideológica e exerício ilegal da profissão da medicina.

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