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Família de comerciante desaparecido na Gardênia Azul não tem mais esperança de que ele esteja vivo

·3 minuto de leitura

RIO — Quatro dias após o desaparecimento do comerciante Thomás de Sousa Barros Lima, de 32 anos, na madrugada do último domingo, na Gardênia Azul, favela na Zona Oeste do Rio, a família não tem mais esperanças de que ele esteja vivo. Nesta quinta-feira, Thainá de Sousa, de 25, irmã de Thomás, vai marcar a missa de sétimo dia do comerciante.

— Hoje vamos marcar a missa de sétimo dia na igreja do Pechicnha, a Paróquia Nossa Senhora de Fátima. Infelizmente, não tem como ter esperança — lamenta a jovem.

Segundo a delgada Ellen Souto, titular da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), a especializada investiga o caso como homicídio e ocultação de cadáver praticados pela milícia da Gardênia Azul.

Na madrugada do último domingo, Thomas enviou uma mensagem para a esposa que parecia ser um pedido de socorro: “Se der ruim, sabe onde estou. Gardênia”. Desde então, a família do comerciante busca informações de seu paradeiro. Horas após iniciarem as buscas, amigos e familiares encontraram o carro de Thomas incendiado próximo à favela da Gardênia Azul — região dominada pela milícia na Zona Oeste do Rio.

Domingo à noite, o carro de Thomás foi encontrado carbonizado na Ayrton Senna.Thainá criticou a demora nas investigações e disse que familiares e amigos têm feito buscas por conta própria:

— A polícia está a par de tudo, mas a gente que está buscando por conta própria. Não temos ajuda de polícia nem de ninguém. Ontem, nós que reunimos os amigos e fomos procurar. Encontramos a placa do carro exatamente onde o carro foi carbonizado. Mais à frente, tinha outro carro carbonizado. A gente procurou, entrou, viu se encontrava alguma coisa, chegamos a ir até o mangue. Depois de a imprensa procurar a polícia, pediram para meu pai ir lá na delegacia. Até o momento estavam calados.

A delegada Ellen Souto disse que o caso está bem avançado:

— Em andamento. Bem avançado. Mas não é do dia para noite que se conclui um homicídio.

A Polícia Civil também vai intimar o homem identificado como Jefferson Lima, conhecido como DJ. Segundo a Thainá, ele estava com Thomás:

— Estamos tentando procurar esse conhecido. Conseguimos contato, mas ele não atende, bloqueia quando a gente tenta falar. A polícia também está atrás dele. A família não conhece, ninguém nunca ouviu falar dele nem sabe como é. Ele veio encontrar meu irmão no bar, foram beber numa boate do lado do bar e depois foram para o Gardênia. Lá, foram para um bar, onde começou uma discussão. Quando começou a discussão, arrastaram meu irmão para o baile funk dentro do Gardênia, ele tentou conversar, dialogar, mas o pessoal disse que ele foi executado lá dentro do "campo do favelão".

Thomás trabalhava no bar da família desde os 15 anos. Com a separação dos pais, assumiu o bar. Ele morava com a mulher e a filha em Rio das Pedras, lugar onde cresceu desde que tinha 4 anos.

Thainá disse que há relatos de que Thomás tenha sido envolvido na briga, mas ela acredita que esse não seja o motivo. O irmão, ela conta, não era de se envolver em confusão:

— Ele era uma pessoa super tranquila, tomava a cerveja dele e a única coisa que fazia era brincar e dançar. Todo mundo sempre abraçava e falava com ele. Não sei porque pode ter começado a briga. Uns dizem que ele passou, esbarrou e não pediu desculpa. Coisa que acho difícil. Ele só tinha tamanho, mas era muito tranquilo.

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