Família bilionária tenta estancar tombo de R$ 75 bi da Hapvida

(Bloomberg) -- A família bilionária por trás da operadora de saúde brasileira Hapvida se moveu para tentar estancar a maior queda entre as ações latino-americanas neste ano.

A família Pinheiro Koren de Lima, que fundou a companhia há quatro décadas e possui participação combinada de cerca de 36%, planeja comprar 10 imóveis da Hapvida por R$ 1,25 bilhão via uma estrutura de “sale & lease back”, segundo comunicado. A família também se comprometeu a subscrever R$ 360 milhões em uma potencial oferta de ações.

As ações da Hapvida abriram em alta de 15% nesta terça-feira na esteira do anúncio, reduzindo as perdas recentes. O papel lidera as perdas do índice MSCI Emerging Markets Latin America em 2023 e fechou a R$ 2,22 na segunda-feira - queda que apagou R$ 75 bilhões em valor de mercado da empresa desde o pico do ano passado. As perdas foram aceleradas recentemente após o balanço mais fraco do que o esperado no quarto trimestre alimentar temores com a alavancagem da Hapvida em um momento em que as empresas brasileiras enfrentam condições de crédito mais apertadas e deterioração das perspectivas macroeconômicas.

Após os esforços de captação de recursos, o JPMorgan elevou sua recomendação para o papel para equivalente à compra e o Goldman Sachs disse que um dos principais temores em torno da tese de investimento poderia ser mitigado. Caso ambos os eventos se concretizem, a Hapvida provavelmente fecharia o ano com caixa de R$ 3 bilhões, acima da estimativa do Goldman de R$ 1 bilhão, escreveu o analista Gustavo Miele.

A Hapvida foi fundada por Candido Pinheiro Koren de Lima em 1979, quando o oncologista brasileiro abriu uma clínica em Fortaleza. Recentemente, a companhia ganhou mercado no Brasil não apenas vendendo planos de saúde, mas também sendo dona de hospitais. Uma onda de aquisições levou a empresa a comprar a rival Intermédica há dois anos.

O valor da fatia da família na Hapvida caiu cerca de R$ 27 bilhões após atingir um pico no ano passado de R$ 32,8 bilhões. Nos níveis atuais, a participação vale R$ 5,7 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Os movimentos da família “devem cobrir as preocupações do mercado sobre a estrutura de capital, potencialmente trazendo um piso para o preço das ações e abrindo a porta novamente para uma possível opcionalidade de M&A”, escreveu o analista do Morgan Stanley Javier Martínez de Olcoz em nota.

More stories like this are available on bloomberg.com

©2023 Bloomberg L.P.