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Faltam leitos de UTI na rede pública de saúde para pacientes de Covid-19 no município do Rio

Lucas Altino
·4 minuto de leitura
Foto: Gabriel Monteiro / Extra / 25.09.2020

RIO — Desde ontem, o número de pacientes com Convid-19 que precisam de leitos de UTI é maior do que o número de vagas disponíveis nos hospitais públicos do município do Rio. Alguns pacientes chegam a esperar mais de 15 dias transferência, sem o atendimento adequado. Na manhã desta quarta-feira, 86 pacientes precisavam de terapia intensiva, mas só havia 37 leitos na cidade, segundo o RJTV. E mais de 30 pacientes graves ainda não tinham conseguido uma vaga. Alguns esperam desde o início do mês. De acordo com a Prefeitura do Rio, a ocupação é de 93%, mas na prática, não há mais vaga em UTI na rede SUS da capital.

Nesta terça-feira, segundo a Secretaria municipal de Saúde, há 513 pacientes internados em leitos de terapia intensiva na rede pública da capital — que inclui leitos de unidades municipais, estaduais e federais, atingindo uma ocupação de 93%. Há, no entanto, 73 pessoas aguardando transferência para algumas das 39 vagas restantes. Apesar de divulgar a taxa de ocupação e o número de pacientes internados na rede SUS, o município não informou a quantidade de leitos totais de UTI, sugerindo procurar o governo do estado e o Ministério da Saúde sobre a quantidade de vagas que cada ente administra na capital

Ainda segundo a secretaria municipal de Saúde, a taxa de ocupação nos leitos SUS de enfermaria é de 70%. Já nas unidades geridas pela prefeitura, a ocupação na terapia intensiva é de 97% das 271 UTIs.

De acordo com Secretaria de Estado de Saúde (SES) a taxa de ocupação, considerando todas as unidades da rede estadual destinadas à Covid-19, está em 40% em leitos de enfermaria e 77% em leitos de UTI. No total, na rede pública, 184 pacientes com casos suspeitos ou confirmados de coronavírus aguardam transferência para leitos de internação, sendo 107 para enfermaria e 77 para UTI, que podem ser regulados para diferentes redes, seja ela municipal, estadual ou federal.

Pela quinta semana consecutiva, o Estado apresentou uma alta no pedido de internações para pacientes com Covid-19. Um levantamento do GLOBO com dados da Secretaria estadual de Saúde mostra que, na última semana epidemiológica — entre os dias 15 e 21 de novembro — , as unidades de toda a rede SUS do Rio pediram vagas para 1.044 pessoas com suspeita ou caso confirmado de coronavírus.

A procura por leito na rede saltou 93% em quatro semanas: entre 18 e 24 de outubro, tinham sido requisitadas 540 vagas. O quadro constatado pelo jornal foi o que levou as autoridades federais, estaduais e municipais a deflagrarem nesta segunda-feira um plano de ação rápida, em que suspendem cirurgias eletivas — desde que não sejam oncológicas ou bariátricas, entre outras — e ofertam mais 214 vagas para pacientes com a doença.

Estado do Rio registrou 113 mortes e 2.145 novos casos do novo coronavírus nesta terça-feira, de acordo com a última atualização feita pelo governo estadual. Com isso, a média móvel chega ao oitavo dia em alta, com tendência de aumento no contágio da doença. O crescimento de 216% na média móvel de óbitos, na comparação com duas semanas atrás, é o maior índice desde o dia 20 de abril, auge da pandemia. Ao todo, são 340.833 infectados e 22.141 vidas perdidas em todo o território fluminense desde o início da pandemia, em março.

Nesta terça, a capital concentrou 75% das mortes (85) registradas e 45% dos casos (961). Ao todo, a cidade do Rio soma 132.349 infectados e 13.064 vítimas da doença desde março.

Com os dados atualizados, a média móvel passa a ser de 95 mortes e 1.537 casos. Em comparação com duas semanas atrás, há uma subida de 43% na média móvel de casos e de 216% na média móvel de mortes, o que, por estar bem acima de 15%, indica um cenário de aumento no contágio da doença, pelo oitavo dia seguido.

Nos dias 6, 8, 9 e 10 de novembro não houve atualização no número de mortes, de acordo com o governo, em função de um problema no sistema do Ministério da Saúde, já solucionado. Este fato ainda pode influenciar no cálculo da média móvel durante alguns dias. No entanto, mesmo que os números tivessem sido preenchidos naquelas datas, seguindo a tendência diária daquele momento, ainda assim, seria observado um aumento.

A análise dos dados foi feita a partir do levantamento do consórcio de veículos de imprensa formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo, que reúne informações das secretarias estaduais de Saúde.