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Falta de planejamento urbano levará a novas tragédias, como a de Pernambuco, alertam especialistas

A recorrência de tragédias ocasionadas por fortes chuvas, como as que já atingiram Pernambuco, Minas Gerais, Bahia e Petrópolis, na Região Serrana do Rio, neste ano, acendem o alerta de especialista para a necessidade de políticas de planejamento urbano. Pernambuco já contabiliza 79 mortes em função das fortes chuvas que caem no estado desde a semana passada. Falta de planejamento urbano, ausência de fiscalização e demora nas respostas quando a crise está instalada são pontos do roteiro brasileiro listados por estudiosos de gerenciamento de risco.

O professor Gustavo Cunha Mello, especialista em gerenciamento de riscos, ressalta que qualquer política de combate a desastres dessa natureza precisa levar em conta a ocupação urbana.

— A geografia brasileira é recortada por montanhas e rios. A solução passa por políticas habitacionais que removam pessoas de áreas de risco e construam moradias de forma adequada. Basta olhar a situação das áreas mais afetadas do Recife para constatarmos a recorrência deste problema. Como paliativo, precisamos de planos integrados de emergência e evacuação de áreas de risco quando há alertas meteorológicos. É preciso descentralizar os sistemas das defesas civis e instalar sistemas protecionais. Além dos problemas estruturais e das questões meteorológicas, voltamos a ouvir relatos de demora para socorro das vítimas —analisa.

Para a pesquisadora Margarete Amorim, especialista em climatologia urbana, há diversos horizontes de trabalho, de curto a longo prazo. Todos, porém, incluem investimentos em tecnologia e construções de novas moradias.

— Recife é uma zona suscetível a chuvas fortes. A questão principal é a ocupação da terra, o uso adequado do solo. Não há qualquer trabalho para impedir mais mortes, em Recife ou em qualquer local do Brasil, que não passe pela remoção de pessoas dessas áreas. A longo prazo, são necessárias políticas públicas de habitação. O fenômeno não é o culpado, mas, sim, o poder público inoperante. A meteorologia consegue prever esses episódios com certa antecedência. Por isso, são necessários investimentos em tecnologia, sirenes e abrigos.

No aspecto geral, os efeitos das mudanças no clima são sentidos com cada vez mais intensidade. Um relatório do Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU apontou que Recife é a 16ª cidade do mundo mais ameaçada pela emergência climática e pelo avanço do nível do mar.

Este domingo foi dedicado às tentativas de resgate, e milhares de moradores permaneciam ilhados, já que os alagamentos não cessaram em diversos pontos — no fim da noite, ainda chovia fraco, e a previsão é de mais pancadas hoje.

O impacto fez 14 municípios decretarem situação de emergência. De acordo com o governo estadual, há 56 desaparecidos e 3.597 desabrigados. — Moro mais em cima e fui à casa dos meus avós tentar salvá-los. Todo mundo morreu, e eu fiquei — contou ao G1 o auxiliar de pedreiro Thiago Estêvão, que chegou a ficar soterrado após um deslizamento em Jardim Monte Verde, comunidade no limite entre Recife e Jaboatão dos Guararapes. No mesmo local, Luiz Estevão Aguiar, morador de Camaragibe, perdeu 11 parentes. — Faleceram minha irmã, meu cunhado... Foram 11 da família — disse à TV Globo.

Maio é um mês historicamente chuvoso por conta dos Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOL), áreas de instabilidade que se desenvolvem sobre o oceano e avançam para o leste do Nordeste espalhando nuvens carregadas sobre a região.

Este ano, no entanto, a temperatura superficial da água do mar no Atlântico, na costa do Nordeste, está ajudando a formar estas áreas de instabilidade. “A água do mar em toda a costa nordestina está até 1°C mais quente do que o normal nos últimos 30 dias”, diz o Climatempo. Como resultado, vários pontos do Recife já tiveram quase 500mm de volume de chuva no mês, um valor 57% maior do que a média histórica, de 317mm, segundo o instituto.

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