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Empresas de tecnologia buscam alternativas para falta de profissionais no Brasil

Foto: Getty Images

Por Matheus Mans

Num País com mais de 13 milhões de desempregados, sobram empregos em startups para áreas de desenvolvimento, programação e ciência de dados. São mais de 5 mil vagas abertas e uma demora de mais de 60 dias para preencher um único cargo. E muito disso por conta da falta de especialização e a baixa quantidade de novos profissionais.

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“Há aumento da demanda num setor em que as tecnologias se renovam muito rapidamente”, afirma Guilherme Neves Cavalieri, diretor acadêmico do Instituto de Gestão e Tecnologia da Informação (IGTI). “Além disso, nem todos os profissionais da área estão abertos para absorver essas novas tecnologias na mesma velocidade da demanda”.

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Para lutar contra isso, vê-se dois movimentos no ecossistema empreendedor brasileiro. O primeiro diz respeito à capacitação interna. Ao invés de esperar que o mercado ofereça o profissional certo para aquele tipo de emprego, as próprias startups tomam a dianteira e passam a oferecer cursos profissionalizantes, integrando a pessoa aos desafios do setor.

A Movile é uma que segue nesse caminho. A empresa, que é um dos unicórnios brasileiros e dona do iFood, tomou para si a responsabilidade de capacitar profissionais que possam preencher seu quadro de funcionários. Hoje, ela oferece cursos para profissionais em início de carreira para que eles sejam moldados, desde o começo, na cultura da empresa.

“Vimos que as universidades não estavam conseguindo atender as demandas que surgiam do mercado de inovação brasileiro. A formação de novos profissionais não acompanha o ritmo do setor”, explica Matheus Fonseca, analista de employer branding do Grupo Movile.

Hoje, a empresa de pauta em várias estratégias para cobrir esta deficiência do setor educacional. Primeiro, criou o programa Movile Next, curso de duração de um mês que visa levar conhecimentos práticos de programação para quem já é do mercado. Há, também, a Fundação 1Bi, que busca ensinar tecnologia para jovens em situação de vulnerabilidade.

“Acho muito difícil esse problema no mercado de trabalho de tecnologia se resolver sozinho. Não vão conseguir suprir a demanda se o setor continuar a crescer como agora”, afirma Fonseca, da Movile. “Por isso, resolvemos tomar a dianteira. Não é divulgando vaga que se resolve a deficiência dos profissionais de tecnologia no setor inteiro. É preciso educar”.

Captação

Há uma particularidade interessante na falta de profissionais de tecnologia nas startups. Atualmente, os que mais fazem falta são os sêniores. Essas pessoas, mais experientes e com currículo vasto, preferem empregos em empresas tradicionais. Há, afinal, salários maiores, melhores garantias e um risco menor de que aquela ideia de startup fracasse.

Para conquistar esses profissionais, startups começam a brigar diretamente no mercado. A Geek Hunter, por exemplo, atua como headhunter de profissionais da tecnologia. Pinça, a partir de determinações e especificações do cliente, pessoas que já estão no mercado e não procuram um novo emprego, mas podem vir a se interessar pelas condições oferecidas.

“Hoje, só 13% dos profissionais se candidatam para novas vagas. Mas, ainda assim, 75% estão abertos para novas oportunidades”, afirma Tomás Ferrari, CEO da empresa. Segundo ele, a Geek Hunter consegue reduzir o tempo para preencher uma vaga de 60 para 16 dias. “A startup, a partir de um processo como esse, consegue brigar diretamente com as grandes empresas. Vai direto no profissional e já oferta as melhores condições de trabalho”.

A Propz tem atuado nesse sentido. Empresa de inteligência analítica para o varejo, a startup emite mais de 127 milhões de ofertas personalizadas todo mês. Para isso, precisa de um grande número de profissionais gabaritados. “Ultimamente, estou tendo que ir no mercado, escolher o profissional e convencê-lo a vir para cá”, explica Israel Nacaxe, cofundador da startup. “Para isso, elevamos o salário para conseguir competir com as grandes empresas”.

E como faz com o resto da equipe, de jovens profissionais? “Estou tendo que contratar programadores na Rússia”, afirma o executivo, antes de dar uma gargalhada. “É possível encontrar uma grande quantidade de profissionais bons por lá. E que trabalham unicamente para a Propz, à distância. Acho que, no futuro, as startups terão que se tornar universidades. Afinal, é capaz que nem a Rússia nos salve da falta de programadores”.