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Falta de espaço, não navios, reduz desembarque no principal porto de fertilizantes

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***ARQUIVO*** PARANAGUA, PR, BRASIL, 06-09-2018: Movimentação no terminal de Contêineres Paranaguá (TCP), em Paranaguá, no estado do Paraná. (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)
***ARQUIVO*** PARANAGUA, PR, BRASIL, 06-09-2018: Movimentação no terminal de Contêineres Paranaguá (TCP), em Paranaguá, no estado do Paraná. (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)

SÃO APULO, SP (FOLHAPRESS) - O volume de fertilizantes desembarcados no Porto de Paranaguá, o principal porto de entrada do produto no Brasil, vem caindo desde fevereiro, quando eclodiu a Guerra da Ucrânia. Segundo o porto, o problema não tem a ver com escassez de insumos vindos da Rússia, mas sim com a falta de espaço para armazenagem nos terminais privados e a corrida dos importadores para garantir o produto.

Em fevereiro, foi importado 1,3 milhão de toneladas de fertilizantes pelo porto localizado no litoral paranaense. Já em março, esse volume caiu para 880 mil toneladas. O dado mais recente, de abril, mostra que a tendência de queda se manteve, com recuo para 609,2 mil toneladas.

Além da queda em termos absolutos, o mês de abril também se destaca como o primeiro, desde novembro do ano passado, a registrar um recuo no volume importado em comparação com abril do ano passado —queda de 31%.

No período de seis meses, a maior taxa de crescimento foi registrada em fevereiro, com incremento de 40% sobre 2021. Essa alta, no entanto, já perdeu ritmo em março, quando os desembarques foram apenas 15% maiores que em março de 2021.

No resultado acumulado nos primeiros quatro meses do ano há um crescimento de 11% nos desembarques, com 3,7 milhões de toneladas descarregadas, de acordo com o Porto de Paranaguá.

O insumo é essencial para a agricultura, e o Brasil é altamente dependente de fornecedores estrangeiros para suprir sua demanda. A possibilidade de escassez tem pressionado o presidente Jair Bolsonaro (PL), que tem no agro uma de suas principais bases eleitorais.

No fim de semana, o presidente declarou que "mais de 30 navios com fertilizantes estão a caminho da Rússia para o Brasil, resultado da viagem" que fez em fevereiro a Moscou, de acordo com a Agência Brasil. "Nossa agricultura não para", disse Bolsonaro.

No entanto, os dados de Paranaguá, por onde passam cerca de 25% de todos os fertilizantes importados pelo Brasil, mostram que o problema não está na falta de navios, mas na de espaço de armazenagem. E pela gestão dos fluxos de entrada e saída desses estoques nos armazéns, de responsabilidade de importadores e da indústria de fertilizantes.

"A Rússia continua carregando [fertilizantes] para o Brasil. Essa queda [em abril] tem a ver com armazenagem, e com as condições do mercado. Não temos espaço hoje na retroárea [terminas privados] para receber essa carga. E também houve uma compensação porque em um mês importou-se mais, e agora para compensar caiu a importação [mensal]", diz Luiz Fernando Garcia, presidente do porto.

Por causa da dificuldade de descarregar em Paranaguá, alguns poucos navios têm optado por seguir viagem até o Porto de Rio Grande (RS), onde não tem faltado espaço nos armazéns.

O custo dessa operação varia conforme a carga e as condições contratuais da importação. Poderá resultar eventualmente em economia em relação ao custo das diárias extras decorrentes da impossibilidade de descarregar em Paranaguá. Os valores, no entanto, não são divulgados: são negociados entre armador e importador, sem ingerência da administração portuária.

Apesar dos problemas, entraram no Porto de Paranaguá, nos últimos seis meses, 373 navios carregados de fertilizantes. O maior movimento de entrada ocorreu em fevereiro, quando foram registradas 78 embarcações. E o menor número, de 50, ocorreu em abril.

"O que segue acontecendo é a antecipação das compras de fertilizantes. Esses números decorrem ainda daquela perspectiva de embargos econômicos a Belarus, do final do ano passado, e do início da Guerra da Ucrânia, lembrando que quase um mês antes da guerra já havia aquele anúncio de preparação da invasão, aquelas imagens todas", diz Garcia.

Para o presidente do porto, os importadores compraram volumes acima das necessidades atuais para garantir a entrega dos produtos, que apresentaram forte valorização desde o ano passado.

"Há um desarranjo na logística [portuária] por causa dessas antecipações. Temos uma capacidade de armazenar [nos terminais privados] de 3,5 milhões, e está tudo cheio. Está chegando em um volume maior do que saindo com destino às culturas", diz Garcia.

Segundo o presidente do porto paranaense, uma parcela menor dos desembarques dos últimos dias já inclui encomendas posteriores ao início da guerra, já que ele estima levar entre dois e três meses entre a encomenda e a entrega em um porto brasileiro.

Nesta terça (3), havia 14 navios em fila, abastecidos com 426 mil toneladas de fertilizantes, aguardando para descarregar, movimento considerado normal pela administração do porto.

Outras 7 embarcações já estão anunciadas para atracar no Porto de Paranaguá, com outras 172 mil toneladas.

Esse movimento fez com que o porto desse prioridade, desde o segundo semestre do ano passado, ao desembarque de fertilizantes.

"Revisitamos as nossas ordens de serviços dando completa prioridade ao desembarque de fertilizantes. Somos um porto relativamente pequeno, com pouco mais de 5 quilômetros de cais público, comparando a Santos que tem quase 20. Mesmo assim conseguimos fazer quase 60 milhões de toneladas [de cargas gerais] no ano passado", diz o executivo.

No Porto de Santos, segunda entrada de fertilizantes no país em volume, houve crescimento de 28% no volume importado no primeiro trimestre, para 2,3 milhões de toneladas, de acordo com a administração portuária, que ainda não divulgou os números relativos a abril.

Segundo o Porto de Santos, o movimento de desembarque de fertilizantes tem ocorrido normalmente, apesar do crescimento registrado, tanto nos terminais privados como no cais púbico.

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