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Falhas na biometria deixam milhares de desempregados sem benefícios nos EUA

·3 minuto de leitura

A chegada da pandemia da COVID-19 não trouxe somente problemas de saúde, mas também uma grande quantidade de desemprego. Com o comércio sendo obrigado a fechar, muitos norte-americanos perderam suas fontes de renda e estão sendo obrigados a recorrer a diferentes auxílios — cujo acesso tem sido dificultado por uma das principais empresas do setor, a ID.me.

A empresa oferece soluções de segurança que visam acabar com fraudes que custam bilhões em prejuízos para os Estados Unidos. Para atingir esse objetivo, ela usa uma mistura de documentos oficiais e biometria para identificar pessoas aptas a receber auxílios. No entanto, diversos relatos indicam que suas soluções tecnológicas são pouco eficientes e estão bloqueando recursos para muitas pessoas que precisam deles.

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Segundo a Motherboard, candidatos aos benefícios afirmam que os sistemas da ID.me falham em identificá-los corretamente, o que faz com que seus registros sejam colocados em espera. Com isso, eles tiveram que esperar períodos que vão de dias a semanas até que um “árbitro autorizado” pela companhia confirmasse o que a tecnologia falhou em conseguir.

O problema vai além das dezenas de reclamações que surgem diariamente contra a empresa no Twitter: na véspera de ano novo de 2020, 1,4 milhão de desempregados na Califórnia tiveram seus benefícios suspensos e tiveram que usar o ID.me para reativá-los. Com as falhas no sistema de biometria, muitas pessoas foram forçadas a sobreviver sem dinheiro durante semanas enquanto a companhia fazia as verificações.

Já no Colorado, desempregados que haviam passado pela aprovação da empresa se descobriram rejeitadas de um dia para o outro e passaram meses sem receber os pagamentos para os quais eram elegíveis. Histórias semelhantes se repetiram na Flórida, Carolina do Norte, Pensilvânia, Arizona e outros estados dos Estados Unidos.

ID.me afirma que não há problemas com seus sistemas

Segundo o CEO da companhia, Blake Hall, o sistema da empresa possui algoritmos com “99,9% de eficácia” e comparam o rosto das pessoas com fotografias contidas em documentos pessoais, como carteiras de motoristas e identidades. Ele também nega que o sistema tenha características racistas, contrariando relatos que mostram que pessoas negras tendem a ter suas aplicações negadas mais frequentemente.

“Não temos conhecimento de indivíduos qualificados que não puderam verificar sua identidade com o ID.me”, afirmou o executivo. Ele também assegurou que os sistemas de suporte da empresa, que foram criticados por serem ineficientes, estão funcionando corretamente. Segundo Hall, o tempo de espera por uma sessão de conversa por vídeo é de menos de cinco minutos — outra declaração que contraria diversos depoimentos de usuários.

Atendendo a 21 estados norte-americanos, a ID.me se beneficia diretamente de uma percepção pública de que há grandes fraudes no sistema de seguridade norte-americano. Em repetidas ocasiões, o CEO da companhia afirmou que fraudes custam US$ 400 bilhões anuais aos EUA e que é necessário usar sistemas de proteção — como os fornecidos por sua companhia — para mudar a situação.

No entanto, dados do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos mostram que as fraudes, embora impactantes, são menores. Entre março e outubro de 2020 foram descobertos prejuízos de US$ 5,6 bilhões em pagamentos fraudulentos. Embora os impactos da COVID 19 possam ter aumentado esse valor, a agência estima que ele chega atualmente “às dezenas de bilhões de dólares”, cifra consideravelmente menor do que o divulgado pela ID.me.

Fonte: Canaltech

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