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Justin Bieber: falar sobre suicídio precisa deixar de ser um tabu

Marcela De Mingo
·5 minuto de leitura
Justin Bieber abriu o jogo sobre pensamentos suicidas e depressão em novo documentário (Foto: Instagram / Justin Bieber)
Justin Bieber abriu o jogo sobre pensamentos suicidas e depressão em novo documentário (Foto: Instagram / Justin Bieber)

Não é todo dia que vemos um ídolo teen falando sobre suicídio. Mas foi isso que aconteceu na última semana com Justin Bieber, que, em meio a uma carreira bastante polêmica, decidiu falar sobre como realmente se sente para um documentário.

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Se o mundo das celebridades nos ensinou qualquer coisa, é que não é simples crescer sob os holofotes. No documentário 'Justin Bieber: Next Chapter', o músico explica como se viu em uma situação tão complicada e tão sem esperança, que experienciou pensamentos suicidas, uma depressão profunda, e sentimentos bastante complexos de solidão.

"Eu acho que tiveram momentos em que eu estava com pensamentos suicidas, pensando coisas do tipo 'Cara, essa dor não vai passar?', Era tão consistente, a dor era muito consistente. Eu estava sofrendo, então eu estava 'Cara, acho que é melhor não sentir isso do que sentir'", disse o músico.

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O cantor explica no documentário, que estreou no fim de outubro no YouTube, que não estava preparado para a fama, e que muitas pessoas o tratavam de uma forma tão crítica e maldosa, que ele começou a agir da mesma maneira com aqueles ao seu redor, o que o levou a uma espiral de tristeza.

Ele, claro, está longe de ser o único. Demi Lovato também já conversou mais de uma vez com a mídia sobre as vezes em que se sentiu totalmente desamparada e triste, e como o abuso de drogas e do álcool a levou a extremos. Há alguns anos, ela foi internada em overdose depois de uma longa batalha contra o uso de drogas ilícitas e passagens por clínicas de reabilitação e terapias para lidar também com questões de saúde mental.

A cantora chegou a comentar em uma entrevista que reconhecia ter pensamentos suicidas aos sete anos de idade. Desde então, ela tem participado ativamente de conversas sobre saúde mental e prevenção ao suicídio - este ano, ela lançou uma música durante o Setembro Amarelo chamada "It's ok not be ok", ( é ok não estar ok, em português) como parte de uma ação preventiva voltada para conscientização.

Falar sobre suicídio ainda é visto como um tabu, mas percebemos, cada vez mais, como o assunto precisa virar lugar comum nas rodas de conversa. Em um bate-papo no Instagram com o Yahoo Vida e Estilo, a consteladora e terapeuta Alessandra Pais explica que o suicídio não é algo que acontece de um dia para o outro, mas o resultado de um processo longo de deterioração da saúde mental.

Diz a Organização Mundial de Saúde que o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade de 15 a 25 anos. Segundo os dados, aproximadamente 800 mil pessoas tiram a própria vida por ano no mundo - isso sem considerar os efeitos da pandemia de coronavírus que, de acordo com a própria organização, promete causar um boom de questões relacionadas a saúde mental na população global.

A situação envolvendo o suicídio é tão complexa que a OMS a considera uma questão séria de saúde pública. Só em 2014, mais de 10 mil pessoas se suicidaram no Brasil, e a morte autoinduzida é considerada a terceira principal entre os jovens por aqui. No país mais ansioso do mundo, é difícil pensar que seria diferente, mas a própria OMS atenta para o fato de que 90% dessas mortes sempre podem ser evitadas.

O primeiro passo, dado tão publicamente por pessoas como Demi e Justin, é o mais importante: conversar sobre o assunto. Muito do resultado final desses sentimentos de desesperança se dá por conta da falta de suporte - ou seja, é comum a pessoa desesperada sentir que não tem com quem conversar ou como resolver a sua situação.

Em uma entrevista recente no programa de Ellen DeGeneres, Demi comentou sobre a importância de cada pessoa tomar responsabilidade pelas escolhas que fez ao longo da vida, mas atentou para a capacidade de cada um de sair de uma situação emocionalmente complexa. Porém, é preciso não só buscar ajuda, como também aceitá-la.

Segundo Alessandra, a importância da rede de apoio aparece ao máximo nesses casos: buscar apoiar e cuidar daqueles que estão a sua volta, cercar-se de pessoas que fortalecem você e estão dispostas a ouvir o que você tem a dizer é crucial. E não, não é simples começar uma conversa sobre o tema, mas é necessário.

Para quem ouve, o ponto principal é não descartar o que está sendo dito e dar espaço para aquela pessoa desabafar - muitas vezes, tudo o que ela precisa é tirar de si o que sente e pensa para começar um processo de aceitar ajuda. Direcioná-la para os profissionais corretos e apoiá-la durante o processo de recuperação também são pontos muito importantes para que alguém que tenha pensamentos suicidas possa encontrar algo em que se apoiar e guiá-la nessa jornada de volta à vida.

No mais, é sempre essencial lembrar que existem opções e locais onde se pode buscar ajuda. O CVV, centro de valorização à vida, oferece suporte emocional para pessoas que estão nesse ponto máximo de desesperança de forma gratuita e anônima, basta discar 188 a qualquer hora do dia ou dia da semana.

É possível também procurar atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito em cidades como São Paulo, que contam com organizações não-governamentais que oferecem esses serviços para quem precisa.