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Fala de Guedes sobre auxílio emergencial pesa e Bolsa cai 2,2%; dólar sobe

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 04.11.2020 - Ministro da Economia, Paulo Guedes, durante cerimônia alusiva à marca de 100 milhões de poupanças sociais digitais. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 04.11.2020 - Ministro da Economia, Paulo Guedes, durante cerimônia alusiva à marca de 100 milhões de poupanças sociais digitais. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira fechou em queda nesta quinta-feira (12), devolvendo boa parte dos ganhos da semana, em meio a movimentos de realização de lucros endossados por um pregão negativo em Wall Street. Agentes financeiros também repercutiram a fala do ministro Paulo Guedes (Economia) sobre a continuação do auxílio emergencial.

O Ibovespa, maior índice do mercado acionário brasileiro, caiu 2,2%, a 102.507 pontos, reduzindo os ganhos na semana para 1,57%. O dólar subiu 1,19%, a R$ 5,4840. O turismo está a R$ 5,623.

Guedes votou a dizer nesta quinta que o auxílio emergencial voltará a ser pago em 2021 caso haja uma nova onda de coronavírus no país --ele já havia dado declaração semelhante na terça (10). Além disso, o ministro afirmou que a tributação de dividendos é uma alternativa em avaliação para financiar a desoneração da folha de pagamentos.

"Se houver uma segunda onda de pandemia, não é uma possibilidade, é uma certeza", disse o ministro.

Ele também afirmou que os estudos sobre o programa Renda Brasil continuam, mas que as discussões foram interrompidas pelas eleições.

"O auxílio era de R$ 600, desceu para R$ 300, e depois aterrissa no Bolsa Família ou no Renda Brasil que estamos estudando."

Com a probabilidade de aumento de gastos do Estado em 2021, o real foi a moeda que mais se desvalorizou na sessão, negativa para emergentes, após acumular ganhos ante o dólar com o enfraquecimento da moeda americana com a vitória do democrata Joe Biden nas eleições.

Após o começo de semana otimista, com a notícia sobre a eficácia de uma vacina contra o coronavírus, o crescimento nos casos da doença nos Estados Unidos e a ameaça de uma nova rodada de restrições econômicas para conter a pandemia pesaram nos pregões internacionais, contaminando o Ibovespa.

Nova York tornou-se o mais recente estado americano introduzir regras mais rígidas para distanciamento social na quarta (11), com as novas infecções no país ficando em mais de 100 mil pelo oitavo dia consecutivo.

Em Washington, o presidente do Fed (banco central dos EUA), Jerome Powell, afirmou que "os próximos meses podem ser desafiadores", o que corroborou o viés mais vendedor no mercado.

Em Wall Street, o índice Dow Jones caiu 1,08% sob pressão de empresas industriais e financeiras, sensíveis ao crescimento econômico, com Boeing e Goldman Sachs, que recuaram 3% e 1,6%, respectivamente.

Companhias aéreas e operadoras de cruzeiros, que estão entre as mais atingidas pela pandemia do coronavírus, também perderam. O índice S&P 1500 de companhias aéreas recuou 3%, enquanto Royal Caribbean Cruises teve queda de 4% e Carnival Corp tombou quase 8%.

A Bolsa de de tecnologia Nasdaq recuou 0,65%,.

"O mercado está reagindo ao aumento de casos da Covid em todo o país. As notícias sobre vacinas ajudam em algum momento no futuro, mas hoje estamos lidando com uma propagação em aceleração", disse Michael Antonelli, estrategista de mercado da Baird em Milwaukee.

Mesmo depois da queda de 1% nesta quinta, o S&P 500 apresenta alta em torno de 2% nesta semana, impulsionado por dados positivos dos ensaios clínicos de vacinas, que aumentaram expectativas de uma rápida recuperação econômica.

As ações também se beneficiaram diante das expectativas de que um Congresso dividido, com maioria republicana no Senado e democrata na Câmara, evitará que o presidente eleito, Joe Biden, promova a elevação de tributos, que prejudicaria os lucros das empresas.

No Brasil, Azul e Gol recuaram 6,38% e 5,92%, respectivamente, com as preocupações sobre novas rodadas de medidas de confinamento pesando sobre o setor, um dos mais afetados pela pandemia de coronavírus.

As ações preferenciais (sem direito a voto e mais negociadas) da Petrobras cederam 4,24%, em meio a movimentos de realização de lucros e conforme os preços do petróleo passaram a cair no exterior. Vale caiu 1,46%.

O Itaú fechou em baixa de 2,44%, também corrigindo valorização relevante recente, assim como o Bradesco, cujas ações preferenciai caíram 3,95%.

A Via Varejo perdeu 5,73%, com boa parte do resultado do terceiro trimestre, que mostrou lucro operacional de R$ 100 milhões, já no preço das ações, segundo analistas. No setor, B2W subiu 1,51% e Magazine Luiza recuou 0,39%.

A CCR caiu 5,72%, na esteira da queda de mais de 70% do lucro da empresa no terceiro trimestre, a R$ 93,3 milhões, com os efeitos negativos da pandemia sendo amplificados com a alta do dólar e maiores despesas com depreciação de ativos perto do fim da concessão.

Eletrobras perdeu 5,18%, após divulgar queda de 87% no lucro líquido do trimestre encerrado em setembro. Em teleconferência, o presidente da maior companhia elétrica da América Latina disse que governo deve retomar negociação sobre a sua privatização em 2021.

Rumo fechou em baixa de 5,19%, apesar de desempenho operacional recorde no terceiro trimestre, uma vez que o lucro caiu 54% em meio ao declínio de tarifas de transporte ferroviário e despesas com a renovação antecipada da Malha Paulista.

Já a Taesa avançou 3,10%, após a transmissora de energia elétrica reportar lucro de R$ 631,9 milhões no trimestre encerrado em setembro, com alta de 76,6% na comparação ano a ano, superando estimativas de analistas.

A 3R Petroleum cedeu 0,48%, a R$ 20,90, em sua estreia na B3, após a companhia especializada na operação de campos maduros de petróleo precificar oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) a R$ 21 por ação, abaixo da faixa estimada pelos coordenadores.