Fala de Draghi deixa bolsas da Europa em lados opostos

As bolsas da Europa fecharam em direções divergentes nesta quinta-feira, com os investidores digerindo a fala do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi. Ele afirmou que ainda não é o momento de pensar em uma estratégia de saída para a política monetária acomodatícia na zona do euro, mas também admitiu que os riscos para o bloco persistem. O índice pan-europeu Stoxx 600 perdeu 0,27%, fechando a 287,44 pontos.

O BCE manteve nesta quinta-feira sua taxa básica de juros em 0,75%. Em entrevista à imprensa após a decisão, Draghi listou uma série de melhoras na zona do euro, como a queda dos yields (retorno ao investidor) dos bônus soberanos, os fortes fluxos positivos de capital, o aumento nos depósitos dos bancos dos países periféricos e uma queda no balanço patrimonial do banco central. O presidente do BCE também afirmou que não foi discutido um corte de juros, embora tenha deixado claro que a política de estímulos econômicos vai prosseguir.

Mas as bolsas oscilaram bastante ao longo do dia, com os investidores digerindo as decisões do BCE e do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), que também manteve nesta quinta-feira sua política monetária inalterada. "O problema é que a Europa nunca parece estar suficientemente longe de uma nova crise política. Eu acho que o pano de fundo macroeconômico deveria dar suporte às bolsas, mas podem existir obstáculos políticos no caminho", comenta Douglas Roberts, economista da Standard Life Investments.

Indicadores divulgados nos Estados Unidos também foram considerados positivos. Os pedidos de auxílio-desemprego aumentaram para 371 mil na semana passada, acima dos 363 mil previstos, mas a pesquisa mostrou alguns sinais animadores. Na semana encerrada em 29 de dezembro, o número total de norte-americanos que recebiam auxílio-desemprego caiu 127 mil, para 3,109 milhões, o nível mais baixo desde a semana encerrada em 12 de julho de 2008.

Mais cedo, dados da China haviam entusiasmado os mercados. O superávit comercial do país cresceu para US$ 31,6 bilhões em dezembro, muito acima da estimativa de US$ 19,6 bilhões, com destaque para o avanço de 14% nas exportações, ante previsão de alta de apenas 4,6%.

Nesse cenário, o índice FTSE da Bolsa de Londres renovou a máxima em quase cinco anos registrada ontem. O indicador avançou 0,05%, fechando a 6.101,51 pontos, o nível mais elevado desde maio de 2008. As ações da varejista Tesco ganharam 1,79%, após divulgação de balanço positivo. A também varejista Marks & Spencer divulgou resultados menos animadores, e seus papéis perderam 0,59%.

Já em Paris o índice CAC-40 perdeu 0,39% e fechou a 3.703,12 pontos. Entre os destaques de queda aparecem EDF, com perda de 1,84%, GDF Suez, que teve desvalorização de 1,86%, e Schneider Electric, que caiu 1,96%.

Na Bolsa de Frankfurt, o índice DAX recuou 0,16%, encerrando a sessão a 7.708,47 pontos. A fabricante de caminhões MAN ganhou 3,46%, após a Volkswagen afirmar na noite de quarta-feira (09) que pretende fechar um "acordo de domínio" com a empresa, na qual possui 75,03% do capital votante. A Volkswagen avançou 0,99% nesta quinta-feira. Já a produtora de açúcar Südzucker perdeu 5,65%, com os investidores decepcionados com o fato da companhia não elevar sua previsão de lucro para o ano fiscal 2013.

Na Bolsa de Lisboa, o PSI-20 registrou a alta de 1,29%, fechando a 6.090,64 pontos. Já o índice FTSE-Mib, da Bolsa de Milão, teve valorização de 0,72%, encerrando a sessão a 17.451,07 pontos. Em Madri, o índice IBEX-35 subiu 0,15%, fechando a 8.618,90 pontos. As informações são da Dow Jones.

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