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"Fadiga do Zoom": videoconferências em excesso podem afetar a saúde mental?

Fidel Forato
·3 minuto de leitura

Em quantas reuniões esteve presente, de forma virtual, neste ano? É possível que sejam centenas, caso tenha adotado o modelo de trabalho remoto devido à pandemia do novo coronavírus (SAR-CoV-2). Nesse cenário da COVID-19 e do isolamento social imposto para evitar o contágio, as pessoas nunca utilizaram as plataformas de videoconferência de forma tão intensa, tanto para o trabalho quanto para a vida social. A partir desse uso — às vezes, excessivo — psiquiatras alertam para o risco de "fadiga de zoom".

De acordo com pesquisa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o excesso de contros virtuais é responsável por stress e esgotamento das pessoas que adotaram o modelo de home office, durante a pandemia da COVID-19. Esse quadro de fadiga foi associado ao Zoom, por este ter sido um dos principais aplicativos de reuniões e conversas online, usando voz e vídeo, adotado no contexto do coronavírus.

Psiquiatras alertam para fadiga causada por excesso de videoconferência (Imagem: Reprodução/ Julia M Cameron/ Pexels)
Psiquiatras alertam para fadiga causada por excesso de videoconferência (Imagem: Reprodução/ Julia M Cameron/ Pexels)

Pesquisa sobre "Fadiga do Zoom"

Para entender como as videoconferências estavam afetando (ou não) a saúde mental dos brasileiros, a ABP realizou uma pesquisa sobre a questão entre os dias 14 de agosto e 21 de novembro. “Os pacientes relataram que a 'fadiga do Zoom' é um fato na vida delas, que elas de fato aumentaram o trabalho via teleconferência e adoeceram, precisaram de ajuda”, afirma o presidente da ABP, Antonio Geraldo da Silva.

No levantamento, os psiquiatras entrevistados revelaram um aumento nas queixas dos pacientes sobre o excesso de trabalho por videoconferências nos últimos cinco meses. Do total de entrevistados, 56,1% dos psiquiatras relataram esse cenário entre os seus pacientes. Além disso, 63,3% dos psiquiatras perceberam um aumento de prescrição de remédios controlados (psicotrópicos) para o tratamento dos pacientes com queixas sobre o excesso de trabalho por videoconferência, em comparação ao período anterior.

A maioria dos médicos (70,1%) também identificou uma necessidade elevada de prescrever psicoterapia para seus pacientes devido a essa fadiga. Vale destacar que esse levantamento da ABP engloba tanto profissionais da saúde mental que atendem no Sistema Único de Saúde (SUS), no sistema privado e suplementar.

Videoconferências x Pandemia

“É uma situação nova, é um fato novo. Mas estamos percebendo que há um cansaço das pessoas em usar a videoconferência, porque ela retira de você toda privacidade, aumenta sua carga de trabalho e sua carga de descanso fica comprometida e isso é, realmente, adoecedor”, explica o presidente da ABP. Além disso, Silva alerta para o fato de que os horários rotineiros foram interrompidos com a migração para o trabalho remoto. “Os chefes passaram a entender que as pessoas estão disponíveis 24 horas”, comenta.

"No teletrabalho, muitas vezes, as pessoas entram em uma videoconferência às 8h e saem somente ao meio-dia”, exemplifica o presidente. Nesse cenário da pandemia, “houve uma perda dos limites relacionais” e isso afeta, diretamente, os colaboradores de uma organização. De acordo com Silva, a agenda da saúde mental “é urgente e será um dos pilares para o bom enfrentamento às demais consequências trazidas pela pandemia. A saúde mental é a chave para enfrentarmos o cenário atual e seus desdobramentos”.

Em números, a ABP estima que existam 50 milhões de pessoas com algum tipo de doença mental no Brasil. Além disso, o país engloba o maior número de pessoas com casos de transtornos de ansiedade do mundo. São cerca de 19 milhões de casos, o que corresponde a 9% da população brasileira.

Fonte: Canaltech

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