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Facebook quer criar "deepfake do bem", modificando rostos e até roupas

Fidel Forato

Depois de sugerir pesquisas com implantes cerebrais, o laboratório de pesquisas do Facebook continua a todo vapor. Novos estudos divulgados pela companhia americana, na Conferência Internacional sobre Visão Computacional (ICCV), na Coreia do Sul, apontam novas aplicações para o aprendizado de máquina e inteligência artificial (IA) com ferramentas que são capazes de modificar rostos, mãos e, inclusive, roupas.

A partir dos resultados, é possível especular que o Facebook vem testando os limites da visão computacional, que é um campo específico da IA responsável por treinar computadores para que sejam capazes de interpretar e entender o mundo visual. Um campo que vai muito além da identificação de rostos de maneira rápida ou da localização de objetos em um ambiente.

A seguir, confira alguns dos experimentos que o Facebook vem testando:

Testes em vídeos para não reconhecimento facial, em (a) o rosto original e em (b) as modificações (Fonte: Facebook)

Não identificação da face em vídeo

A equipe do Facebook aproveitou das tecnologias criadas para deepfakes, como mapeamento de expressões e mudanças de rosto, para desenvolver ferramenta que torne o rosto de um usuário desconhecido, a partir de alterações em suas características básicas, a partir de vídeos. A função deve impedir que o rosto seja reconhecido por mecanismos de reconhecimento facial online, por exemplo.

Ao contrário das máscaras e tarjas pretas, mais artificiais, a função pode auxiliar pessoas que não querem (ou não podem por motivos políticos e perseguições) aparecer em vídeos a produzirem conteúdo de maneira mais natural. As alterações com o algoritmo, por enquanto, se concentram em olhos mais largos, boca mais fina, aumento do nariz e testa mais alta. Mesmo que funcione bem, o sistema ainda precisará de uma otimização antes de ser disponibilizado para o público.

Estudo para reproduzir com IA movimento de mãos humanas (Fonte: TechCrunch)

Estudo sobre as mãos

Apresentada na ICCV, outra pesquisa busca capturar, catalogar e reproduzir movimentos feitos por mãos humanas. Para o estudo, foram registradas e analisadas por IA 50 horas em que pessoas conversavam, da forma mais natural possível, enquanto vestiam roupas com sensores de movimento.

A ideia da equipe do Facebook era entender como as mãos compõem parte importante da expressão corporal. Para isso, o software foi capaz de registrar e aprender que, por exemplo, quando as pessoas diziam "naquela época", apontam para trás. E quando diziam "em todo o lugar", costumam abrir as mãos, em um gesto abrangente.

A descoberta pode ser aplicada em conversas, com aparência mais natural, para ambientes virtuais e quem sabe também por animadores, que poderiam basear os movimentos de seus personagens na vida real.

O Fashion ++ é a aposta do Facebook para edição de looks (Fonte: TechCrunch)Caption

Editor de looks

O Facebook também anunciou um novo sistema destinado a ajudar os usuários na composição de seus looks, com dicas práticas. O que, talvez, seja o início dos espelhos inteligentes.

Com uma rede neural, o sistema Fashion ++ absorveu “boas” imagens de moda e as peças associadas nas composições (como cintos, camisas, botas), em grande quantidade, que pudessem ser usadas como referência para seus comentários.

A partir disso, as edições do sistema sugerem trocar uma peça específica da sua combinação até sugerir novas formas de usar, como arregaçar as mangas, tirar um colar ou adicionar um cinto. Mesmo longe de ser um assistente profissional de moda para o ambiente digital, a criação obteve sucesso ao fazer sugestões de roupas para pessoas reais, que acharam as dicas uma boa ideia.


Fonte: Canaltech

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