Mercado fechará em 6 mins

Facebook e Twitter derrubam perfis ligados a fake news das eleições nos EUA

Wagner Wakka

Nesta quinta-feira (12), o Facebook removeu 49 contas e 69 páginas da rede social, além de 85 perfis do Instagram ligados ao grupo conhecido como Internet Research Agency (IRA). Eles são apontados como principais participantes de movimentos para espalhar desinformação durante as eleições norte-americanas em 2016. Ação semelhante também foi vista no Twitter.

Segundo comunicado do Facebook, o grupo estava em estágios iniciais de criação de audiência e contava com indivíduos em Gana e Nigéria. Contudo, a rede social acredita que a ação esteja sendo comandada por pessoas na Rússia, participantes do IRA, para interferir novamente nas eleições dos Estados Unidos. Os norte-americanos devem escolher seu novo presidente este ano.

As páginas começaram a ser criadas em julho de 2019. Além do Facebook e Instagram, o Twitter também derrubou um total de 71 contas ligadas ao EBLA em Gana em 26 de fevereiro. Somadas, tais contas tinham um alcance de 68 mil seguidores.

De acordo com o Facebook, os perfis derrubados usavam de táticas de divulgação de desinformação. “Alguns deles já foram removidos por nosso sistema automatizado”, conta o líder de políticas de segurança do Facebook, Nathaniel Gleicher. Com tais perfis, o IRA gerenciava páginas como se fossem organizações não-governamentais ou pessoas públicas, com notícia sobre os Estados Unidos. Os assuntos variavam entre questões raciais e de gênero.

“A atividade não aparentava focar em eleições ou promover e criticar nenhum candidato político. [...] Mesmo que as pessoas por trás dessa atividade tenham tentado esconder seus propósito e coordenação, nossa investigação encontrou elos com a EBLA, uma ONG de Gana, e indivíduos associados com atividades anteriores do Internet Research Agency russo (IRA)”, explica Gleicher.

A página da EBLA contava com 101 likes, posicionando-se como uma ONG contra “toda forma de descriminação”. O Facebook informa que o perfil era ligado ao IRA. A sigla vem de Eliminating Barriers for the Liberation of Africa, o que significa “eliminando barreiras para libertação da África”, em tradução literal.

Exemplo de publicação no Facebook fala sobre questões raciais (Foto: Divulgação/Facebook)

A rede social disse que chegou à informação após investigação em parceria com jornalistas da CNN. Eles descobriram que cerca de 16 jovens, na faixa dos 20 anos, que usavam o Telegram em Gana para se organizar as publicações. A CNN descobriu o grupo, pois uma dos integrantes topou conversar com a reportagem.

Ao todo, quase 290 mil pessoas seguiam as contas no Facebook e no Instagram, sendo que 65% de todo esse público estava localizado nos Estados Unidos.

O Facebook também registrou que houve pagamento de US$ 379 em publicidade em ambas redes sociais dos perfis e páginas agora derrubados. “Menos de US$ 5 foram gastos com foco em pessoas dos Estados Unidos, sendo que nenhum deles foi direcionado para questões políticas ou controversas. Nosso sistema repetidamente rejeitou tentativas dessa rede de criar publicidade controversa e política nos Estados Unidos, uma vez que pessoas por trás disso não eram autorizadas a criar publicidade política nos EUA”, conta Gleicher.

Esta não é a primeira vez que a rede social toma uma ação contra o IRA. Pelo menos em três oportunidades no ano passado o Facebook derrubou perfis com o mesmo modelo de operação.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: